domingo, 4 de abril de 2010

AUTÓGRAFO

ELE NA NOITE RIA,
RIA ADENTRO NOITE.
UM RISO OUTRO, UM RISO
QUE DIR-SE-IA ESCÁRNIO,
QUE SE PARECIA UM RISO
EXTERNO, PRA SER VISTO.

ELE TINHA CONSIGO QUE ALGO LHE FORA REVELADO,
LOGO ELE, E O MAIS ESTRAVAGANTE: A ELE.

E FOI JUSTO NA NOITE, ONDE ELE SE TRANSFORMA,
ONDE ELE DEIXA DE SER HOMEM E É POETA,
ONDE CHORA PORQUE O CHORO É O DESDOBRAMENTO DA
COISA QUE ELE NÃO PODE DIZER O QUANTO É.

E NÃO DIZIA PORQUE NÃO CONHECIA AS PALAVRAS QUE DESCREVEM,
OU QUE ENCERRAM O ÚLTIMO PONTO DE VISTA.

ME IMPRESSIONO COM ELE SEMPRE QUE O LEMBRO, SEMPRE QUE O VEJO,
SUA ROTUNDA FIGURA, CUJA EXUBERÂNCIA NÃO VEM DE SUA CARNE APENAS, VEM
DE UM HOMEM-CRIANÇA, MAS CHEIO DE SENTIMENTO. SIM, TIVE VERGONHA DISSO, DELE
SER MAIS POETA QUE OS POETAS TODOS, MAIS POETA QUE OS POETAS DOS QUAIS SE OS VISSE(ESTÃO TODOS MORTOS) EU PEDIRIA UM AUTÓGRAFO, UM ADMIRARIA EXTERNAMENTE, E FICO TRISTE COMIGO, E FICO TRISTE COM TODOS, PORQUE NÃO PEDI UM AUTÓGRAFO A ELE, PORQUE TENHO VERGONHA DE ADMIRAR UM SER, UM GESTO, UM SORRISO, POR SÓ PODER ADMIRAR A PALAVRA ESCRITA DOS POETAS, NUNCA A POESIA ESCRITA EM CARNE VIVA.

Um comentário:

Mirse Maria disse...

A vida é um poema!

Aproveite e viva!

Beijos

Mirse