sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

ROBERTO CAMPOS

Não foi o populismo, as ridículas idéias defendidas ainda hoje, por uma esquerda burra, as decisões tomadas por nossos governantes ns últimos cem anos, muito menos nossa incapacidade de gerar um país razoável. Não foi, claro que não, nossa desorganização civil, econômica, nossa peculiaridade em criar leis que ninguém cumpre, de querer implantar aqui uma industria nacional, um espécie de vale do silício tropical, esboçado só no papo dos esquerdistas da “festiva”, e que paralisou por anos nossa entrada no mundo virtual. Está claro que nossas constituições (foram muitas) sobretudo a de 1998, que criou o primeiro país capitalista-socialista do mundo, onde se promete tantos direitos ao cidadão que termina por não se cumprir nenhum, constituição combatida por Roberto campos, que foi o melhor médico na avaliação da doença nacional, e por isso achincalhado por gente malandra, e que gosta de falar para “as massas”, que gosta de construir hospitais, não se importando se funcionarão ou não, que inaugura escolas sem biblioteca, que acha correto reajustar os próprios salários, que...., bom, Roberto campos, quem foi ele:?
Quem?
Ninguém sabe, ninguém lembra, ninguém viu.. não cai no vestibular, não é comentado por Arnaldo jabor, nunca é citado.
Por uma razão simples,: ele contraria a idéia idiota, medonha, inculcada , engendrada nas universidades brasileiras, que não são por assim dizer, um exemplo de livre-pensamento, nem de grande coisa acadêmica, de que o Brasil não é medíocre por culpa sua, mas por uma exploração de séculos.
Roberto campos, ninguém conhece., escreveu “a lanterna na popa”, quem fala de Brasil, baseado no que a esquerda pensa dele, deveria ler esse livro. E imenso, e tudo está lá, tudo mesmo. Décadas atrás ele defendia livre comércio, abertura econômica, importação de produtos que não poderiam ser fabricados aqui, abertura de mercado de capitais, enfim, era um capitalista, o que no Brasil parece xingamento.
Se o Brasil tivesse feito tomado os remédios prescritos pelo Dr º Roberto campos, hoje estaria curado, mas preferiu o caminho errado, a culpa é sua, de mais ninguém. Exploração houve, mas passou, há muito tempo, e se não somos grandes, azar o nosso, ou incompetência mesmo..

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

É TÃO BELO COMO UM SIM, EM UMA SALA NEGATIVA.

Na Internet Nesta Página
eBooksBrasil.com Euclides da Cunha



Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI


— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.


Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.

Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).

Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,

a de querer arrancar
alguns roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.





ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO
UM DEFUNTO NUMA REDE,
AOS GRITOS DE "Ó IRMÃOS DAS ALMAS!
IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU
QUEM MATEI NÃO!"



— A quem estais carregando,
irmãos das almas,
embrulhado nessa rede?
dizei que eu saiba.

— A um defunto de nada,
irmão das almas,
que há muitas horas viaja
à sua morada.

— E sabeis quem era ele,
irmãos das almas,
sabeis como ele se chama
ou se chamava?

— Severino Lavrador,
irmão das almas,
Severino Lavrador,
mas já não lavra.

— E de onde que o estais trazendo,
irmãos das almas,
onde foi que começou
vossa jornada?

— Onde a caatinga é mais seca,
irmão das almas,
onde uma terra que não dá
nem planta brava.

— E foi morrida essa morte,
irmãos das almas,
essa foi morte morrida
ou foi matada?

— Até que não foi morrida,
irmão das almas,
esta foi morte matada,
numa emboscada.

— E o que guardava a emboscada,
irmão das almas
e com que foi que o mataram,
com faca ou bala?

— Este foi morto de bala,
irmão das almas,
mas garantido é de bala,
mais longe vara.

— E quem foi que o emboscou,
irmãos das almas,
quem contra ele soltou
essa ave-bala?

— Ali é difícil dizer,
irmão das almas,
sempre há uma bala voando
desocupada.

— E o que havia ele feito
irmãos das almas,
e o que havia ele feito
contra a tal pássara?

— Ter um hectares de terra,
irmão das almas,
de pedra e areia lavada
que cultivava.

— Mas que roças que ele tinha,
irmãos das almas
que podia ele plantar
na pedra avara?

— Nos magros lábios de areia,
irmão das almas,
os intervalos das pedras,
plantava palha.

— E era grande sua lavoura,
irmãos das almas,
lavoura de muitas covas,
tão cobiçada?

— Tinha somente dez quadras,
irmão das almas,
todas nos ombros da serra,
nenhuma várzea.

— Mas então por que o mataram,
irmãos das almas,
mas então por que o mataram
com espingarda?

— Queria mais espalhar-se,
irmão das almas,
queria voar mais livre
essa ave-bala.

— E agora o que passará,
irmãos das almas,
o que é que acontecerá
contra a espingarda?

— Mais campo tem para soltar,
irmão das almas,
tem mais onde fazer voar
as filhas-bala.

— E onde o levais a enterrar,
irmãos das almas,
com a semente do chumbo
que tem guardada?

— Ao cemitério de Torres,
irmão das almas,
que hoje se diz Toritama,
de madrugada.

— E poderei ajudar,
irmãos das almas?
vou passar por Toritama,
é minha estrada.

— Bem que poderá ajudar,
irmão das almas,
é irmão das almas quem ouve
nossa chamada.

— E um de nós pode voltar,
irmão das almas,
pode voltar daqui mesmo
para sua casa.

— Vou eu que a viagem é longa,
irmãos das almas,
é muito longa a viagem
e a serra é alta.

— Mais sorte tem o defunto
irmãos das almas,
pois já não fará na volta
a caminhada.

— Toritama não cai longe,
irmãos das almas,
seremos no campo santo
de madrugada.

— Partamos enquanto é noite
irmãos das almas,
que é o melhor lençol dos mortos
noite fechada.



O RETIRANTE TEM MEDO DE SE EXTRAVIAR POR SEU GUIA, O RIO CAPIBARIBE, CORTOU COM O VERÃO




—— Antes de sair de casa
aprendi a ladainha
das vilas que vou passar
na minha longa descida.
Sei que há muitas vilas grandes,
cidades que elas são ditas
sei que há simples arruados,
sei que há vilas pequeninas,
todas formando um rosário
cujas contas fossem vilas,
de que a estrada fosse a linha.
Devo rezar tal rosário
até o mar onde termina,
saltando de conta em conta,
passando de vila em vila.
Vejo agora: não é fácil
seguir essa ladainha
entre uma conta e outra conta,
entre uma e outra ave-maria,
há certas paragens brancas,
de planta e bicho vazias,
vazias até de donos,
e onde o pé se descaminha.
Não desejo emaranhar
o fio de minha linha
nem que se enrede no pêlo
hirsuto desta caatinga.
Pensei que seguindo o rio
eu jamais me perderia:
ele é o caminho mais certo,
de todos o melhor guia.
Mas como segui-lo agora
que interrompeu a descida?
Vejo que o Capibaribe,
como os rios lá de cima,
é tão pobre que nem sempre
pode cumprir sua sina
e no verão também corta,
com pernas que não caminham.
Tenho que saber agora
qual a verdadeira via
entre essas que escancaradas
frente a mim se multiplicam.
Mas não vejo almas aqui,
nem almas mortas nem vivas
ouço somente à distância
o que parece cantoria.
Será novena de santo,
será algum mês-de-Maria
quem sabe até se uma festa
ou uma dança não seria?




NA CASA A QUE O RETIRANTE CHEGA ESTÃO CANTANDO EXCELÊNCIAS PARA UM DEFUNTO, ENQUANTO UM HOMEM, DO LADO DE FORA,
VAI PARODIANDO A PALAVRAS DOS CANTADORES




—— Finado Severino,
quando passares em Jordão
e o demônios te atalharem
perguntando o que é que levas..

—— Dize que levas cera,
capuz e cordão
mais a Virgem da Conceição.

—— Finado Severino,
etc...

—— Dize que levas somente
coisas de não:
fome, sede, privação.

—— Finado Severino,
etc...

—— Dize que coisas de não,
ocas, leves:
como o caixão, que ainda deves.

—— Uma excelência
dizendo que a hora é hora.

—— Ajunta os carregadores
que o corpo quer ir embora.

—— Duas excelências...

—— ... dizendo é a hora da plantação.

—— Ajunta os carreadores...

—— ... que a terra vai colher a mão.





CANSADO DA VIAGEM O RETIRANTE PENSA
INTERROMPÊ-LA POR UNS INSTANTES
E PROCURAR TRABALHO ALI ONDE SE ENCONTRA.




—— Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva
só a morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda mais severina
para o homem que retira).
Penso agora: mas por que
parar aqui eu não podia
e como Capibaribe
interromper minha linha?
ao menos até que as águas
de uma próxima invernia
me levem direto ao mar
ao refazer sua rotina?
Na verdade, por uns tempos,
parar aqui eu bem podia
e retomar a viagem
quando vencesse a fadiga.
Ou será que aqui cortando
agora minha descida
já não poderei seguir
nunca mais em minha vida?
(será que a água destes poços
é toda aqui consumida
pelas roças, pelos bichos,
pelo sol com suas línguas?
será que quando chegar
o rio da nova invernia
um resto de água no antigo
sobrará nos poços ainda?)
Mas isso depois verei:
tempo há para que decida
primeiro é preciso achar
um trabalho de que viva.
Vejo uma mulher na janela,
ali, que se não é rica,
parece remediada
ou dona de sua vida:
vou saber se de trabalho
poderá me dar notícia.



DIRIGE-SE À MULHER NA JANELA QUE DEPOIS, DESCOBRE TRATAR-SE DE QUEM SE SABERÁ





—— Muito bom dia senhora,
que nessa janela está
sabe dizer se é possível
algum trabalho encontrar?

—— Trabalho aqui nunca falta
a quem sabe trabalhar
o que fazia o compadre
na sua terra de lá?

—— Pois fui sempre lavrador,
lavrador de terra má
não há espécie de terra
que eu não possa cultivar.

—— Isso aqui de nada adianta,
poucos existe o que lavrar
mas diga-me, retirante,
o que mais fazia por lá?

—— Também lá na minha terra
de terra mesmo pouco há
mas até a calva da pedra
sinto-me capaz de arar.

—— Também de pouco adianta,
nem pedra há aqui que amassar
diga-me ainda, compadre,
que mais fazias por lá?

—— Conheço todas as roças
que nesta chã podem dar
o algodão, a mamona,
a pita, o milho, o caroá.

—— Esses roçados o banco
já não quer financiar
mas diga-me, retirante,
o que mais fazia lá?

—— Melhor do que eu ninguém
sei combater, quiçá,
tanta planta de rapina
que tenho visto por cá.

—— Essas plantas de rapina
são tudo o que a terra dá
diga-me ainda, compadre
que mais fazia por lá?

—— Tirei mandioca de chãs
que o vento vive a esfolar
e de outras escalavras
pela seca faca solar.

—— Isto aqui não é Vitória

nem é Glória do Goitá
e além da terra, me diga,
que mais sabe trabalhar?

—— Sei também tratar de gado,
entre urtigas pastorear
gado de comer do chão
ou de comer ramas no ar.

—— Aqui não é Surubim
nem Limoeiro, oxalá!
mas diga-me, retirante,
que mais fazia por lá?

—— Em qualquer das cinco tachas
de um bangüê sei cozinhar
sei cuidar de uma moenda,
de uma casa de purgar.

—— Com a vinda das usinas
há poucos engenhos já
nada mais o retirante
aprendeu a fazer lá?

—— Ali ninguém aprendeu
outro ofício, ou aprenderá
mas o sol, de sol a sol,
bem se aprende a suportar.

—— Mas isso então será tudo
em que sabe trabalhar?
vamos, diga, retirante,
outras coisas saberá.

—— Deseja mesmo saber
o que eu fazia por lá?
comer quando havia o quê
e, havendo ou não, trabalhar.

—— Essa vida por aqui
é coisa familiar
mas diga-me retirante,
sabe benditos rezar?
sabe cantar excelências,
defuntos encomendar?
sabe tirar ladainhas,
sabe mortos enterrar?

—— Já velei muitos defuntos,
na serra é coisa vulgar
mas nunca aprendi as rezas,
sei somente acompanhar.

—— Pois se o compadre soubesse
rezar ou mesmo cantar,
trabalhávamos a meias,
que a freguesia bem dá.

—— Agora se me permite
minha vez de perguntar:
como senhora, comadre,
pode manter o seu lar?

—— Vou explicar rapidamente,
logo compreenderá:

como aqui a morte é tanta,
vivo de a morte ajudar.

—— E ainda se me permite
que volte a perguntar:
é aqui uma profissão
trabalho tão singular?

—— é, sim, uma profissão,
e a melhor de quantas há:
sou de toda a região
rezadora titular.

—— E ainda se me permite
mais outra vez indagar:
é boa essa profissão
em que a comadre ora está?

—— De um raio de muitas léguas
vem gente aqui me chamar
a verdade é que não pude
queixar-me ainda de azar.

—— E se pela última vez
me permite perguntar:
não existe outro trabalho
para mim nesse lugar?

—— Como aqui a morte é tanta,
só é possível trabalhar
nessas profissões que fazem
da morte ofício ou bazar.
Imagine que outra gente
de profissão similar,
farmacêuticos, coveiros,
doutor de anel no anular,
remando contra a corrente
da gente que baixa ao mar,
retirantes às avessas,
sobem do mar para cá.
Só os roçados da morte
compensam aqui cultivar,
e cultivá-los é fácil:
simples questão de plantar
não se precisa de limpa,
as estiagens e as pragas
fazemos mais prosperar
e dão lucro imediato
nem é preciso esperar
pela colheita: recebe-se
na hora mesma de semear.





O RETIRANTE CHEGA À ZONA DA
MATA, QUE O FAZ PENSAR, OUTRA VEZ,
EM INTERROMPER A VIAGEM.




—— Bem me diziam que a terra
se faz mais branda e macia
quando mais do litoral
a viagem se aproxima.
Agora afinal cheguei
nesta terra que diziam.
Como ela é uma terra doce
para os pés e para a vista.
Os rios que correm aqui
têm água vitalícia.
Cacimbas por todo lado
cavando o chão, água mina.
Vejo agora que é verdade
o que pensei ser mentira
Quem sabe se nesta terra
não plantarei minha sina?
Não tenho medo de terra
(cavei pedra toda a vida),
e para quem lutou a braço
contra a piçarra da Caatinga
será fácil amansar
esta aqui, tão feminina.

Mas não avisto ninguém,
só folhas de cana fina
somente ali à distância
aquele bueiro de usina
somente naquela várzea
um bangüê velho em ruína.

Por onde andará a gente
que tantas canas cultiva?
Feriando: que nesta terra
tão fácil, tão doce e rica,
não é preciso trabalhar
todas as horas do dia,
os dias todos do mês,
os meses todos da vida.

Decerto a gente daqui
jamais envelhece aos trinta
nem sabe da morte em vida,
vida em morte, severina
e aquele cemitério ali,
branco de verde colina,
decerto pouco funciona
e poucas covas aninha.





ASSISTE AO ENTERRO DE UM
TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE
DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O
LEVARAM AO CEMITÉRIO




—— Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.

—— é de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe

neste latifúndio.

—— Não é cova grande.
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.

—— é uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.

—— é uma cova grande
para teu defunto parco,
porém mais que no mundo
te sentirás largo.

—— é uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
não se abre a boca.



—— Viverás, e para sempre
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.

—— Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.

—— Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.

—— Trabalharás uma terra
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator.

—— Trabalhando nessa terra,
tu sozinho tudo empreitas:
serás semente, adubo, colheita.

—— Trabalharás numa terra
que também te abriga e te veste:
embora com o brim do Nordeste.

—— Será de terra
tua derradeira camisa:
te veste, como nunca em vida.

—— Será de terra
e tua melhor camisa:
te veste e ninguém cobiça.

—— Terás de terra
completo agora o teu fato:
e pela primeira vez, sapato.

—— Como és homem,
a terra te dará chapéu:
fosses mulher, xale ou véu.

—— Tua roupa melhor

será de terra e não de fazenda:
não se rasga nem se remenda.

—— Tua roupa melhor
e te ficará bem cingida:
como roupa feita à medida.



—— Esse chão te é bem conhecido
(bebeu teu suor vendido).

—— Esse chão te é bem conhecido
(bebeu o moço antigo)

—— Esse chão te é bem conhecido
(bebeu tua força de marido).

—— Desse chão és bem conhecido
(através de parentes e amigos).

—— Desse chão és bem conhecido
(vive com tua mulher, teus filhos)

—— Desse chão és bem conhecido
(te espera de recém-nascido).


—— Não tens mais força contigo:
deixa-te semear ao comprido.

—— Já não levas semente viva:
teu corpo é a própria maniva.

—— Não levas rebolo de cana:
és o rebolo, e não de caiana.

—— Não levas semente na mão:
és agora o próprio grão.

—— Já não tens força na perna:
deixa-te semear na coveta.

—— Já não tens força na mão:
deixa-te semear no leirão.



—— Dentro da rede não vinha nada,
só tua espiga debulhada.

—— Dentro da rede vinha tudo,
só tua espiga no sabugo.

—— Dentro da rede coisa vasqueira,
só a maçaroca banguela.

—— Dentro da rede coisa pouca,
tua vida que deu sem soca.



—— Na mão direita um rosário,
milho negro e ressecado.

—— Na mão direita somente
o rosário, seca semente.

—— Na mão direita, de cinza,
o rosário, semente maninha,

—— Na mão direita o rosário,
semente inerte e sem salto.


—— Despido vieste no caixão,
despido também se enterra o grão.

—— De tanto te despiu a privação
que escapou de teu peito à viração.

—— Tanta coisa despiste em vida
que fugiu de teu peito a brisa.

—— E agora, se abre o chão e te abriga,
lençol que não tiveste em vida.

—— Se abre o chão e te fecha,
dando-te agora cama e coberta.

—— Se abre o chão e te envolve,
como mulher com que se dorme.




O RETIRANTE RESOLVE APRESSAR OS
PASSOS PARA CHEGAR LOGO AO RECIFE

—— Nunca esperei muita coisa,
digo a Vossas Senhorias.
O que me fez retirar
não foi a grande cobiça
o que apenas busquei
foi defender minha vida
de tal velhice que chega
antes de se inteirar trinta
se na serra vivi vinte,
se alcancei lá tal medida,
o que pensei, retirando,
foi estendê-la um pouco ainda.
Mas não senti diferença
entre o Agreste e a Caatinga,
e entre a Caatinga e aqui a Mata
a diferença é a mais mínima.

Está apenas em que a terra
é por aqui mais macia
está apenas no pavio,
ou melhor, na lamparina:
pois é igual o querosene
que em toda parte ilumina,
e quer nesta terra gorda
quer na serra, de caliça,
a vida arde sempre com
a mesma chama mortiça.

Agora é que compreendo
por que em paragens tão ricas
o rio não corta em poços
como ele faz na Caatinga:
vivi a fugir dos remansos
a que a paisagem o convida,
com medo de se deter,
grande que seja a fadiga.
Sim, o melhor é apressar
o fim desta ladainha,
o fim do rosário de nomes
que a linha do rio enfia
é chegar logo ao Recife,
derradeira ave-maria
do rosário, derradeira
invocação da ladainha,
Recife, onde o rio some
e esta minha viagem se fina.





CHEGANDO AO RECIFE O
RETIRANTE SENTA-SE PARA DESCANSAR
AO PÉ DE UM MURO ALTO E
CAIADO E OUVE, SEM SER NOTADO,
A CONVERSA DE DOIS COVEIROS


—— O dia hoje está difícil
não sei onde vamos parar.
Deviam dar um aumento,
ao menos aos deste setor de cá.
As avenidas do centro são melhores,
mas são para os protegidos:
há sempre menos trabalho
e gorjetas pelo serviço
e é mais numeroso o pessoal
(toma mais tempo enterrar os ricos).
—— pois eu me daria por contente
se me mandassem para cá.

Se trabalhasses no de Casa Amarela
não estarias a reclamar.
De trabalhar no de Santo Amaro
deve alegrar-se o colega
porque parece que a gente
que se enterra no de Casa Amarela
está decidida a mudar-se
toda para debaixo da terra.

—— é que o colega ainda não viu
o movimento: não é o que se vê.
Fique-se por aí um momento
e não tardarão a aparecer
os defuntos que ainda hoje
vão chegar (ou partir, não sei).
As avenidas do centro,
onde se enterram os ricos,
são como o porto do mar
não é muito ali o serviço:
no máximo um transatlântico
chega ali cada dia,
com muita pompa, protocolo,
e ainda mais cenografia.

Mas este setor de cá
é como a estação dos trens:
diversas vezes por dia
chega o comboio de alguém.

—— Mas se teu setor é comparado
à estação central dos trens,
o que dizer de Casa Amarela
onde não para o vaivém?
Pode ser uma estação
mas não estação de trem:
será parada de ônibus,
com filas de mais de cem.

—— Então por que não pedes,
já que és de carreira, e antigo,
que te mandem para Santo Amaro
se achas mais leve o serviço?
Não creio que te mandassem
para as belas avenidas
onde estão os endereços
e o bairro da gente fina:
isto é, para o bairro dos usineiros,
dos políticos, dos banqueiros,
e no tempo antigo, dos bangunlezeiros
(hoje estes se enterram em carneiros)
bairro também dos industriais,
dos membros das
associações patronais
e dos que foram mais horizontais

nas profissões liberais.
Difícil é que consigas
aquele bairro, logo de saída.

—— Só pedi que me mandasse
para as urbanizações discretas,
com seus quarteirões apertados,
com suas cômodas de pedra.

—— Esse é o bairro dos funcionários,
inclusive extranumerários,
contratados e mensalistas
(menos os tarefeiros e diaristas).
Para lá vão os jornalistas,
os escritores, os artistas
ali vão também os bancários,
as altas patentes dos comerciários,
os lojistas, os boticários,
os localizados aeroviários
e os de profissões liberais
que não se libertaram jamais.

—— Também um bairro dessa gente
temos no de Casa Amarela:
cada um em seu escaninho,
cada um em sua gaveta,
com o nome aberto na lousa
quase sempre em letras pretas.
Raras as letras douradas,
raras também as gorjetas.

—— Gorjetas aqui, também,
só dá mesmo a gente rica,
em cujo bairro não se pode
trabalhar em mangas de camisa
onde se exige quepe
e farda engomada e limpa.

—— Mas não foi pelas gorjetas, não,
que vim pedir remoção:
é porque tem menos trabalho
que quero vir para Santo Amaro
aqui ao menos há mais gente
para atender a freguesia,
para botar a caixa cheia
dentro da caixa vazia.

—— E que disse o Administrador,
se é que te deu ouvido?

—— Que quando apareça a ocasião
atenderá meu pedido.

—— E do senhor Administrador
isso foi tudo que arrancaste?

—— No de Casa Amarela me deixou
mas me mudou de arrabalde.

—— E onde vais trabalhar agora,
qual o subúrbio que te cabe?

—— Passo para o dos industriários,
que também é o dos ferroviários,
de todos os rodoviários
e praças-de-pré dos comerciários.

—— Passas para o dos operário,
deixas o dos pobres vários
melhor: não são tão contagiosos
e são muito menos numerosos.

—— é, deixo o subúrbio dos indigentes
onde se enterra toda essa gente
que o rio afoga na preamar
e sufoca na baixa-mar.

—— é a gente sem instituto,
gente de braços devolutos
são os que jamais usam luto
e se enterram sem salvo-conduto.

—— é a gente dos enterros gratuitos
e dos defuntos ininterruptos.

—— é a gente retirante
que vem do Sertão de longe.

—— Desenrolam todo o barbante
e chegam aqui na jante.

—— E que então, ao chegar,
não tem mais o que esperar.

—— Não podem continuar
pois têm pela frente o mar.

—— Não têm onde trabalhar
e muito menos onde morar.

—— E da maneira em que está
não vão ter onde se enterrar.

—— Eu também, antigamente,
fui do subúrbio dos indigentes,
e uma coisa notei
que jamais entenderei:
essa gente do Sertão
que desce para o litoral, sem razão,
fica vivendo no meio da lama,
comendo os siris que apanha
pois bem: quando sua morte chega,
temos que enterrá-los em terra seca.

—— Na verdade, seria mais rápido
e também muito mais barato
que os sacudissem de qualquer ponte
dentro do rio e da morte.

—— O rio daria a mortalha
e até um macio caixão de água
e também o acompanhamento
que levaria com passo lento
o defunto ao enterro final
a ser feito no mar de sal.

—— E não precisava dinheiro,
e não precisava coveiro,
e não precisava oração
e não precisava inscrição.

—— Mas o que se vê não é isso:

é sempre nosso serviço
crescendo mais cada dia
morre gente que nem vivia.

—— E esse povo de lá de riba
de Pernambuco, da Paraíba,
que vem buscar no Recife
poder morrer de velhice,
encontra só, aqui chegando
cemitério esperando.

—— Não é viagem o que fazem
vindo por essas caatingas, vargens
aí está o seu erro:
vêm é seguindo seu próprio enterro.




O RETIRANTE APROXIMA-SE DE
UM DOS CAIS DO CAPIBARIBE



—— Nunca esperei muita coisa,
é preciso que eu repita.
Sabia que no rosário
de cidade e de vilas,
e mesmo aqui no Recife
ao acabar minha descida,
não seria diferente
a vida de cada dia:
que sempre pás e enxadas
foices de corte e capina,
ferros de cova, estrovengas
o meu braço esperariam.
Mas que se este não mudasse
seu uso de toda vida,
esperei, devo dizer,
que ao menos aumentaria
na quartinha, a água pouca,
dentro da cuia, a farinha,
o algodãozinho da camisa,
ao meu aluguel com a vida.

E chegando, aprendo que,
nessa viagem que eu fazia,
sem saber desde o Sertão,
meu próprio enterro eu seguia.
Só que devo ter chegado
adiantado de uns dias
o enterro espera na porta:
o morto ainda está com vida.
A solução é apressar
a morte a que se decida
e pedir a este rio,
que vem também lá de cima,
que me faça aquele enterro
que o coveiro descrevia:
caixão macio de lama,
mortalha macia e líquida,
coroas de baronesa
junto com flores de aninga,
e aquele acompanhamento
de água que sempre desfila
(que o rio, aqui no Recife,
não seca, vai toda a vida).





APROXIMA-SE DO RETIRANTE O
MORADOR DE UM DOS MOCAMBOS
QUE EXISTEM ENTRE O CAIS
E A ÁGUA DO RIO



—— Seu José, mestre carpina,
que habita este lamaçal,
sabes me dizer se o rio
a esta altura dá vau?
sabe me dizer se é funda
esta água grossa e carnal?

—— Severino, retirante,
jamais o cruzei a nado
quando a maré está cheia
vejo passar muitos barcos,
barcaças, alvarengas,
muitas de grande calado.

—— Seu José, mestre carpina,
para cobrir corpo de homem
não é preciso muito água:
basta que chega o abdome,
basta que tenha fundura
igual à de sua fome.

—— Severino, retirante
pois não sei o que lhe conte
sempre que cruzo este rio
costumo tomar a ponte
quanto ao vazio do estômago,
se cruza quando se come.

—— Seu José, mestre carpina,
e quando ponte não há?
quando os vazios da fome
não se tem com que cruzar?
quando esses rios sem água
são grandes braços de mar?

—— Severino, retirante,
o meu amigo é bem moço
sei que a miséria é mar largo,
não é como qualquer poço:
mas sei que para cruzá-la
vale bem qualquer esforço.

—— Seu José, mestre carpina,
e quando é fundo o perau?
quando a força que morreu
nem tem onde se enterrar,
por que ao puxão das águas
não é melhor se entregar?

—— Severino, retirante,
o mar de nossa conversa
precisa ser combatido,
sempre, de qualquer maneira,
porque senão ele alarga
e devasta a terra inteira.

—— Seu José, mestre carpina,
e em que nos faz diferença
que como frieira se alastre,
ou como rio na cheia,
se acabamos naufragados
num braço do mar miséria?

—— Severino, retirante,
muita diferença faz
entre lutar com as mãos
e abandoná-las para trás,
porque ao menos esse mar
não pode adiantar-se mais.

—— Seu José, mestre carpina,
e que diferença faz
que esse oceano vazio
cresça ou não seus cabedais
se nenhuma ponte mesmo
é de vencê-lo capaz?

—— Seu José, mestre carpina,
que lhe pergunte permita:
há muito no lamaçal
apodrece a sua vida?
e a vida que tem vivido
foi sempre comprada à vista?

—— Severino, retirante,
sou de Nazaré da Mata,
mas tanto lá como aqui
jamais me fiaram nada:
a vida de cada dia
cada dia hei de comprá-la.

—— Seu José, mestre carpina,
e que interesse, me diga,
há nessa vida a retalho
que é cada dia adquirida?
espera poder um dia
comprá-la em grandes partidas?

—— Severino, retirante,
não sei bem o que lhe diga:
não é que espere comprar
em grosso tais partidas,
mas o que compro a retalho
é, de qualquer forma, vida.

—— Seu José, mestre carpina,
que diferença faria
se em vez de continuar
tomasse a melhor saída:
a de saltar, numa noite,
fora da ponte e da vida?




UMA MULHER, DA PORTA DE
ONDE SAIU O HOMEM,
ANUNCIA-LHE O QUE SE VERÁ


—— Compadre José, compadre,
que na relva estais deitado:
conversais e não sabeis
que vosso filho é chegado?
Estais aí conversando
em vossa prosa entretida:
não sabeis que vosso filho
saltou para dentro da vida?
Saltou para dento da vida
ao dar o primeiro grito
e estais aí conversando
pois sabeis que ele é nascido.





APARECEM E SE APROXIMAM DA CASA DO
HOMEM VIZINHOS,
AMIGOS, DUAS CIGANAS, ETC




—— Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor.
Foi por ele que a maré
esta noite não baixou.

—— Foi por ele que a maré
fez parar o seu motor:
a lama ficou coberta
e o mau-cheiro não voou.

—— E a alfazema do sargaço,
ácida, desinfetante,
veio varrer nossas ruas
enviada do mar distante.

—— E a língua seca de esponja
que tem o vento terral
veio enxugar a umidade
do encharcado lamaçal.



—— Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor
e cada casa se torna
num mocambo sedutor.

—— Cada casebre se torna
no mocambo modelar
que tanto celebram os
sociólogos do lugar.

—— E a banda de maruins
que toda noite se ouvia
por causa dele, esta noite,
creio que não irradia.

—— E este rio de água, cega,
ou baça, de comer terra,
que jamais espelha o céu,
hoje enfeitou-se de estrelas.





COMEÇAM A CHEGAR PESSOAS
TRAZENDO PRESENTES PARA
O RECÉM-NASCIDO

COMEÇAM A CHEGAR PESSOAS TRAZENDO
PRESENTES PARA
O RECÉM-NASCIDO



—— Minha pobreza tal é
que não trago presente grande:
trago para a mãe caranguejos
pescados por esses mangues
mamando leite de lama
conservará nosso sangue.

—— Minha pobreza tal é
que coisa alguma posso ofertar:
somente o leite que tenho
para meu filho amamentar
aqui todos são irmãos,
de leite, de lama, de ar.

—— Minha pobreza tal é
que não tenho presente melhor:
trago este papel de jornal
para lhe servir de cobertor
cobrindo-se assim de letras
vai um dia ser doutor.

—— Minha pobreza tal é
que não tenho presente caro:
como não posso trazer
um olho d'água de Lagoa do Cerro,
trago aqui água de Olinda,
água da bica do Rosário.



—— Minha pobreza tal é
que grande coisa não trago:
trago este canário da terra
que canta sorrindo e de estalo.

—— Minha pobreza tal é
que minha oferta não é rica:
trago daquela bolacha d'água
que só em Paudalho se fabrica.

—— Minha pobreza tal é
que melhor presente não tem:
dou este boneco de barro
de Severino de Tracunhaém.

—— Minha pobreza tal é
que pouco tenho o que dar:
dou da pitu que o pintor Monteiro
fabricava em Gravatá.



—— Trago abacaxi de Goiana
e de todo o Estado rolete de cana.

—— Eis ostras chegadas agora,
apanhadas no cais da Aurora.

—— Eis tamarindos da Jaqueira
e jaca da Tamarineira.

—— Mangabas do Cajueiro
e cajus da Mangabeira.



—— Peixe pescado no Passarinho,
carne de boi dos Peixinhos.

—— Siris apanhados no lamaçal
que já no avesso da rua Imperial.

—— Mangas compradas nos quintais ricos
do Espinheiro e dos Aflitos.

—— Goiamuns dados pela gente pobre
da Avenida Sul e da Avenida Norte.





FALAM AS DUAS CIGANAS QUE HAVIAM
APARECIDO COM OS VIZINHOS




—— Atenção peço, senhores,
para esta breve leitura:
somos ciganas do Egito,
lemos a sorte futura.
Vou dizer todas as coisas
que desde já posso ver
na vida desse menino
acabado de nascer:
aprenderá a engatinhar
por aí, com aratus,
aprenderá a caminhar
na lama, como goiamuns,
e a correr o ensinarão
o anfíbios caranguejos,
pelo que será anfíbio
como a gente daqui mesmo.
Cedo aprenderá a caçar:
primeiro, com as galinhas,
que é catando pelo chão
tudo o que cheira a comida
depois, aprenderá com
outras espécies de bichos:
com os porcos nos monturos,
com os cachorros no lixo.
Vejo-o, uns anos mais tarde,
na ilha do Maruim,
vestido negro de lama,
voltar de pescar siris
e vejo-o, ainda maior,
pelo imenso lamarão
fazendo dos dedos iscas
para pescar camarão.



—— Atenção peço, senhores,
também para minha leitura:
também venho dos Egitos,
vou completar a figura.
Outras coisas que estou vendo
é necessário que eu diga:
não ficará a pescar
de jereré toda a vida.
Minha amiga se esqueceu
de dizer todas as linhas
não pensem que a vida dele
há de ser sempre daninha.
Enxergo daqui a planura
que é a vida do homem de ofício,
bem mais sadia que os mangues,
tenha embora precipícios.
Não o vejo dentro dos mangues,
vejo-o dentro de uma fábrica:
se está negro não é lama,
é graxa de sua máquina,
coisa mais limpa que a lama
do pescador de maré
que vemos aqui vestido
de lama da cara ao pé.
E mais: para que não pensem
que em sua vida tudo é triste,
vejo coisa que o trabalho
talvez até lhe conquiste:
que é mudar-se destes mangues
daqui do Capibaribe
para um mocambo melhor
nos mangues do Beberibe.





FALAM OS VIZINHOS, AMIGOS, PESSOAS QUE
VIERAM COM PRESENTES, ETC




—— De sua formosura
já venho dizer:
é um menino magro,
de muito peso não é,
mas tem o peso de homem,
de obra de ventre de mulher.

—— De sua formosura
deixai-me que diga:
é uma criança pálida,
é uma criança franzina,
mas tem a marca de homem,
marca de humana oficina.

—— Sua formosura
deixai-me que cante:
é um menino guenzo
como todos os desses mangues,
mas a máquina de homem
já bate nele, incessante.

—— Sua formosura
eis aqui descrita:
é uma criança pequena,
enclenque e setemesinha,
mas as mãos que criam coisas
nas suas já se adivinha.



—— De sua formosura
deixai-me que diga:
é belo como o coqueiro
que vence a areia marinha.

—— De sua formosura
deixai-me que diga:
belo como o avelós
contra o Agreste de cinza.

—— De sua formosura
deixai-me que diga:
belo como a palmatória
na caatinga sem saliva.

—— De sua formosura
deixai-me que diga:
é tão belo como um sim
numa sala negativa.



—— é tão belo como a soca
que o canavial multiplica.

—— Belo porque é uma porta
abrindo-se em mais saídas.

—— Belo como a última onda
que o fim do mar sempre adia.

—— é tão belo como as ondas
em sua adição infinita.



—— Belo porque tem do novo
a surpresa e a alegria.

—— Belo como a coisa nova
na prateleira até então vazia.

—— Como qualquer coisa nova
inaugurando o seu dia.

—— Ou como o caderno novo
quando a gente o principia.



—— E belo porque o novo
todo o velho contagia.

—— Belo porque corrompe
com sangue novo a anemia.

—— Infecciona a miséria
com vida nova e sadia.

—— Com oásis, o deserto,
com ventos, a calmaria.





O CARPINA FALA COM O RETIRANTE QUE
ESTEVE DE FORA,
SEM TOMAR PARTE DE NADA




—— Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.



E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

MISTER JACKSON

o fanatismo dos fãs de Jackson, é completamente explicável, embora medonho. Explicável por sua dança, que eu classifico como a maior expressão humana de beleza de movimentos, de harmonia de música e movimento, de dança. Estava revendo Fred Astaire, e conclui com isso o seguinte: só o um intelectual, ou um aspirante a isso, pode comparar Jackson com Astaire. Não falo do ponto de vista da dança, onde Astaire lhe era superior, falo do ponto de vista estritamente de deleite visual, de prazer, imediato, total. Um grande filme como “ladrão de bicicleta”, nos marca para vida toda, mas não nos dá um prazer imediato e espontâneo quanto um filmão americano, caçador de níquel, mas cheio de efeitos especiais. Mister Jackson, cheio de efeitos especiais me deixa abismado com sua dança. Com a vantagem de os efeitos especiais serem reais, melhor dizendo: surreais.
Jackson estragou tudo, como Maradona, jogou na lama um talento anormal, que só um ser anormal não se preocuparia em zelar. Mas o que fica é a arte, ela vai além dele, de ele errar. Michael, tarado ou não, é o maior encantamento visual que minha retina guardou. Há alguns, poucos e bons:
O beijo de corisco em dada, no filme do Glauber; à maneira que meu pai manuseia as cartas de baralho; o choro de Caetano, na morte de Jobim; o olhar de Ricardo para fallstaf, no filme de Branagh; a fotografia de “Hamlet”, do mesmo Branagh, são coisas que me ficaram gravadas na retina. Jackson, com sua dança, supera tudo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

video

domingo, 7 de dezembro de 2008

O VASCO É O TIME DA VIRADA, O VASCO É O TIME DO AMOR!

A VASCO FOI REBAIXADO, VOLTARÁ. OS CAMPEÕES DE HOJE SÃO OS DERROTADOS DE AMANHÃ. NA VIDA NINGUÉM GANHA SEMPRE. OU POR OUTRA: GANHA SEMPRE O QUE SABE PERDER. A TORCIDA DO VASCO FOI ESPLENDOROSA, RADIANTE, ESPETACULAR.
PRECISAVA UM NELSON RODRIGUES EM SÃO JANUÁRIO ONTEM, PRECISAVA, COMO PRECISAVA. PARA QUE ELE ESCREVESSE O QUE SENTIA AO VER A TORCIDA DO VASCO CANTAR SEU HINO EM UNÍSSONO, UM CANTO DE GUERRA, UM CANTO DE AMOR.
TENHO COMIGO UMA FRAZE SHAKESPEREANA QUE É MEU LEMA, QUE EU AMO. EIS A FRASE:
"O FURTADO QUE RI, ROUBA ALGO AO SEU LADRÃO"
O VASCO JOGOU LIMPO,SEM FALTAS VIOLENTAS SEM NENHUM TIPO DE VONTADE DE GANHAR QUE NÃO FOSSE DENTRO DAS REGRAS.CULPOU QUEM DE FATO TINHA CULPA PELA SITUAÇÃO, O SENHOR EURICO MIRANDA.
O VASCO FOI O PRIMEIRO TIME DO BRASIL A ACEITAR PRETOS, O VASCO É O TIME DA VIRADA(AGORA MAIS AINDA), O VASCO É O TIME DO AMOR.
VER OCHORO DAS CRIANÇAS, JUNTO COM TODOS CANTANDO O HINO DO VASCO, O CHÔRO DE PEDRINHO, O CHÔRO DE EDMUNDO, O CHÔRO GERAL, DE QUEM PERDEU, MAS SABE QUE A VIDA É ACEITAR DERROTAS.
A CENA DÓI, DÓI MUITO, SANGRA, MAS COAGULA. HÁ DEZ ANOS ATRÁS O VASCO COMEMOROU O TÍTULO DA LIBERTADORES, EU CHOREI MUITO, DEPOIS PERDEU O MUNDIAL EM TÓKIO EU CHOREI MUITO, AGORA ESSA CASSETADA, EU JÁ NÃO CHORO, E EU NÃO SEQUEI POR DENTRO, EU TENHO MAIS BRIO, EU TENHO MAIS GANA. EU TENHO ORGULHO DO MEU TIME. SEMPRE TIVE, SEMPRE TEREI. O VASCO TEM TÍTULOS,MUITOS, E ESSES NÃO PERDE, MESMO QUE ROUBASSEM A SALA DE TROFÉU DO VASCO, E TIRASSEM TODOS OS TROFÉUS, NUNCA PODERIAM ROUBAR O QUE O VASCO TEM DE MELHOR: SUA PACÍFICA E AMOROSA TORCIDA, SUA CAMISA, NÃO A QUE COBRE A PELE, A QUE REVESTE A ALMA.
VALEU VASCO, VALEU SEMPRE, PORQUE QUANDO PERDES-TE, DESTE-ME A VER, QUE O PERDEDOR, SE CONSERVA EM SI A DIGNIDADE, É UM FALSO PERDEDOR.

O BECO, VESTIBULAR E O VASCO.

SOU UM DOS MEMBROS DE UM SITE CUJO NOME É "BECO DOS POETAS", UM NOME CHARMOSO, MAS QUE SERIA MELHOR NOMEADO SE O SEU NOME FOSSE: "BECO DOS IMBECIS".
EU NÃO IMAGINO UM CLUBE DE AVIAÇÃO FORMADO POR NÃO AVIADORES, UM CLUBE DE ENÓLOGOS FORMADO POR ABSTÊMIOS, UM CENTRO RELIGIOSO ONDE OS FREQUENTADORES SEJAM ATEUS. POIS NO TAL "BECO", TEMOS UM CLUBE DE LITERATAS ANALFABETOS. NÃO FALO METAFORICAMENTE, FALO PORQUE CONSIDERO O CARA QUE ESCREVE "COIZA", COM "Z", E O FAZ CONSCIENTEMENTE, MAIS DE UM VEZ, ANALFABETO. EU NÃO SOU UM PROFUNDO CONHECEDOR DA NOSSA LÍNGUA, NÃO NA PARTE FORMAL, TENHO UM BOM VOCABULÁRIO E NÃO ERRO A GRAFIA DAS PALAVRAS, MAS ALI EU SOU UM GUIMARÃES ROSA, E DIGO MAIS, A DISTÂNCIA ENTRE MIM E O ROSA É MENOR QUE A DELES EM RELAÇÃO A MIM, NÃO POR MINHA QUALIDADE, MAS PELA NENHUMA DELES.
O CONCURSO DE POESIAS DE LÁ É PARA FIGURAR ENTRE AS MAIORES IDIOTICES QUE O MUNDO JÁ VIU. OS POETAS DE LÁ SÃO INFERIORES A QUALQUER COISA RIMADA, FEITA POR CRIANÇAS NO PRIMÁRIO. MEDIOCRIDADE É ALI. E NO ENTANTO, OS COMENTÁRIOS FEITOS AOS TAIS POEMAS DÃO A ENTENDER QUE POEMAS ALI EXISTEM, O QUE EXISTE DE FATO É UM ENORME INCAPACIDADE DE COMPREENDER QUE POETA, É UM QUE TEM DETERMINADO TALENTO PARA ESCREVER, NÃO QUEM,ENTEDIADO, RESOLVE SÊ-LO.
MAS O QUE IMPORTA É MINHA IRMÃ, QUE HOJE FARÁ VESTIBULAR EM SEGUNDA FASE, E PEDIU-ME QUE TORÇA POR ELA, E O VASCO, QUE DEFINE HOJE SE FICA NA PRIMEIRA OU VAI PARA A SEGUNDA DIVISÃO DO CAMPEONATO BRASILEIRO. TORCEREI PELO VASCO, MUITO, POR MINHA IRMÃ, MENOS.
MINHA IRMÃ FARÁ A PROVA E SERÁ APROVADA, ISSO É CERTO. O VASCO ESTAR NA PRIMEIRA DIVISÃO ANO QUE VEM, NÃO. TORCER IMPLICA CONTAR COM O ACASO FAVORÁVEL, MINHA IRMÃ NÃO PRECISA DISSO, ELE ESTÁ PREPARADA COMO OS OUTROS CANDIDATOS, MAS TEM UMA COGNIÇÃO, PERSPICÁCIA, E CAPACIDADE DE RACIOCÍNIO QUE OS OUTROS NÃO TEM. POR NÃO SEREM DA FAMÍLIA DELA, POR NÃO TEREM ME SORRIDO NO SHOPING, POR NÃO SEREM MINHAS IRMÃS. ISSO É GABOLICE IDIOTA! ISSO É AMOR MEU FILHO.QUEM NÃO AMA A FAMÍLIA QUE TEM, NÃO EXALTA (DEMASIADAMENTE OU NÃO SUAS QUALIDADES) QUEM NÃO SE GOSTA ENTRE IRMÃOS E PAIS, É UM SER INFELIZ. MINHA FAMÍLIA É PEQUENA E SE GABA DISSO. MAS AINDA GABA-SE MAIS, DE NUNCA BRIGAR, OU SE BRIGAR, NÃO DURAR ESSA BRIGA.
O VASCO NÃO VAI CAIR. NÃO HÁ CHANCE DISSO ACONTECER. AS CHANCES DE O VASCO CAIR SÃO MERAMENTE MATEMÁTICAS. MERAMENTE MATEMÁTICAS!?
SIM, FOI ISSO QUE DISSE. MEUS AMIGOS DIZEM QUE O MATEMÁTICO OSWALD SOUZA, CALCULOU A CHANCE DO VASCO CAIR, EM 65%. VÊ-SE QUE NÃO É SÓ NA LITERATURA QUE EXISTEM IMBECIS. PRIMEIRO, NÃO SE PODE PERCENTUALIZAR O IMPONDERÁVEL, ISSO NÃO É MATEMÁTICA, É CHARLATANISMO MATEMÁTICO. JOGOS SÃO IMPREVISÍVEIS, E O IMPREVISÍVEL NÃO É COISA DE QUE A MATEMÁTICA SE OCUPE.
ENTÃO O QUE ACONTECERÁ SERÁ: MINHA IRMÃ SERÁ APROVADA, O VASCO ESCAPARÁ, E O BECO DOS POETAS CONTINUARÁ A SER REDUTO DE NÉSCIOS.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CABRAL PARA MIRSE.




JOÃO CABRAL DE MELO NETO




O RELÓGIO




1.

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Uma vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade

que continua cantando
se deixa de ouvi-lo a gente:
como a gente às vezes canta
para sentir-se existente.


2.

O que eles cantam, se pássaros,
é diferente de todos:
cantam numa linha baixa,
com voz de pássaro rouco;

desconhecem as variantes
e o estilo numeroso
dos pássaros que sabemos,
estejam presos ou soltos;

têm sempre o mesmo compasso
horizontal e monótono,
e nunca, em nenhum momento,
variam de repertório:

dir-se-ia que não importa
a nenhum ser escutado.
Assim, que não são artistas
nem artesãos, mas operários

para quem tudo o que cantam
é simplesmente trabalho,
trabalho rotina, em série,
impessoal, não assinado,

de operário que executa
seu martelo regular
proibido (ou sem querer)
do mínimo variar.

3.

A mão daquele martelo
nunca muda de compasso.
Mas tão igual sem fadiga,
mal deve ser de operário;

ela é por demais precisa
para não ser mão de máquina,
a máquina independente
de operação operária.

De máquina, mas movida
por uma força qualquer
que a move passando nela,
regular, sem decrescer:

quem sabe se algum monjolo
ou antiga roda de água
que vai rodando, passiva,
graçar a um fluido que a passa;

que fluido é ninguém vê:
da água não mostra os senões:
além de igual, é contínuo,
sem marés, sem estações.

E porque tampouco cabe,
por isso, pensar que é o vento,
há de ser um outro fluido
que a move: quem sabe, o tempo.

4.

Quando por algum motivo
a roda de água se rompe,
outra máquina se escuta:
agora, de dentro do homem;

outra máquina de dentro,
imediata, a reveza,
soando nas veias, no fundo
de poça no corpo, imersa.

Então se sente que o som
da máquina, ora interior,
nada possui de passivo,
de roda de água: é motor;

se descobre nele o afogo
de quem, ao fazer, se esforça,
e que êle, dentro, afinal,
revela vontade própria,

incapaz, agora, dentro,
de ainda disfarçar que nasce
daquela bomba motor
(coração, noutra linguagem)

que, sem nenhum coração,
vive a esgotar, gôta a gôta,
o que o homem, de reserva,
possa ter na íntima poça.

domingo, 16 de novembro de 2008

FLOR É FLOR, SE O PARECE A QUEM O DIGA

AS IMAGENS DO QUE VIMOS COM NOSSOS OLHOS SÃO IMAGENS QUE PRESCINDEM DA PALAVRA, AS IMAGENS "CONTADAS", NOS SÃO VEROSSÍMEIS OU NÃO DE ACORDO COM A ELOQÜÊNCIA DO QUE CONTA, OU DE QUEM CONTA. AS IMAGENS NOS MOSTRADAS PELOS POETAS SÃO AINDA MAIS DIFÍCEIS DE SEREM REVELADAS, E PARA SEREM BELAS, TEM DE SER NOVAS, SURPREENDENTES, INESPERADAS, COM UMA CORRETA HARMONIA ENTRE O REAL-ABSURDO, E O ABSURDO-REAL.
É SIMPLES, PEGUE O POEMA, O TÍTULO DESSE POEMA, E PERCEBA QUE IMAGEM NÃO É UM SER, NÃO TEM VIDA, ENTÃO COMO RESPIRA? ATRAVÉS DA PENA DO POETA, DO BOM POETA, QUE LHES DÁ HUMANIDADE E PULMÕES, NÃO REAIS, CLARO, MAS AINDA ASSIM PULSANTES COMO UM CORAÇÃO. ENTÃO POESIA É ISSO. DAR CORAÇÃO AO MINERAL, DAR PULMÃO A UMA IMAGEM, OS QUE NÃO SABEM FAZER ISSO, SAIAM DO CAMINHO, DEIXE O POETA PASSAR, ELE SABE.

E MISTURANDO UMA COISA COM OUTRA QUE NÃO TEM NADA A VER, COLOCO AQUI UMA FRASE DE MARCELO DE OUTRO POEMA, A FRASE É:

"PARA ISSO QUE SERVEM OS OLHOS, PARA VER O ROSTO DE QUEM PEGA NA ALÇA DO CAIXÃO PATERNO"



CREIO QUE A FRASE NÃO É ESTA, FALTA UMA OU DUAS PALAVRAS, MAS MESMO TENDO SIDO ALEIJADA POR MIM, ESSA FRASE, SOMENTE ESSA FRASE, COLOCA MARCELO NOVAES, ACIMA, MUITO ACIMA, DE QUALQUER ESCRITOR DE POESIA ESCRITA HOJE NO BRASIL.
FRASES COMO ESTÁ NÃO OCORREM AO ACASO, NÃO É "FALSA POESIA" O TERMO MAIS IDIOTA QUE FOI CONCEBIDO PARA DESIGNAR UMA COISA QUE NÃO EXISTE.
POESIA NÃO É DITADA POR NINGUÉM, NEM CHEGA A SER UMA COISA RESTRITA A POETAS, NEM A LIVROS, MUITO MENOS A CRÍTICOS PRESUNÇOSOS, POESIA É INERENTE AO AMOR QUE TEMOS AO BELO, AO PRINCÍPIO DE UMA BELO SUPERIOR, COM O QUAL COMPARAMOS O BELO TERRESTRE, COMO AFIRMOU PLATÃO.
A CRÍTICA, PRESUNÇOSA E IDIOTA QUE ACHA POSSÍVEL SIMULAR POESIA, DIGO: A POESIA VIVIDA É MAIS POESIA QUE A PRÓPRIA POESIA, UM BEIJO DE UM FILHO, UM LUAR, O MAR, TUDO É MAIS POESIA QUE PODE A MAIOR POETA DO MUNDO.
DEIXO PARA OS IMBECIS, PARA VER SE TOMAM JUÍZO, UM CONSELHO DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO, POETA QUE OS GRANDES GÊNIOS DE NOSSA CRÍTICA LITERÁRIA QUALIFICARAM COMO “CEREBRAL”, “FRIO”, “SEM EMOÇÃO”. JOÃO NÃO ERA UM POETA “FRIO” NEM CONTRA A EMOÇÃO, AO CONTRÁRIO, NENHUM POETA FAZ VOCÊ SE COMOVER TANTO COMO JOÃO, ELE FALA DE DORES E SOFRERES DE GENTE QUE O LEITOR NUNCA VIU, NEM IMAGINA COMO SEJA, E AS FAZ CHORAR. O RIGOR DO MESTRE PERNAMBUCANO ERA COM A PARTE FORMAL DO POEMA, SUA ESCRITA, NÃO COM O SENTIMENTO.
NO “O FERRAGEIRO DE CARMONA”, ELE DIZ QUE UM FERRAGEIRO LHE DÁ UM CONSELHO( O FERRAGEIRO ERA ELE PRÓPRIO) BOM SE ME PERMITE, MARCELO, OCUPAR TUA PÁGINA, COLOCO O POEMA TODO.

O FERRAGEIRO DE CARMONA

João Cabral de Melo Neto

Um ferrageiro de Carmona,
que me informava de um balcão:
"Aquilo? É de ferro fundido,
foi a forma que fez, não a mão.

Só trabalho em ferro forjado
que é quando se trabalha ferro
então, corpo a corpo com ele,
domo-o, dobro-o, até o onde quero.

O ferro fundido é sem luta
é só derramá-lo na forma.
Não há nele a queda de braço
e o cara a cara de uma forja.

Existe a grande diferença
do ferro forjado ao fundido:
é uma distância tão enorme
que não pode medir-se a gritos.

Conhece a Giralda, em Sevilha?
De certo subiu lá em cima.
Reparou nas flores de ferro
dos quatro jarros das esquinas?

Pois aquilo é ferro forjado.
Flores criadas numa outra língua.
Nada têm das flores de forma,
moldadas pelas das campinas.

Dou-lhe aqui humilde receita,
Ao senhor que dizem ser poeta:
O ferro não deve fundir-se
nem deve a voz ter diarréia.

Forjar: domar o ferro à força,
Não até uma flor já sabida,
Mas ao que pode até ser flor
Se flor parece a quem o diga.




“NÃO DEVE A VOZ TER DIARRÉIA”

QUE FIQUE CLARO, NÃO DEVE “A VOZ” , OU A ESCRITA, TER DIARRÉIA, SER SENTIMENTAL EM EXCESSO, LACRIMOSA.

E POR FIM:

“NÃO ATÉ UMA FLOR JÁ SABIDA”, (A MANEIRA MAIS FÁCIL DE SE ESCREVER POESIA, A QUAL MARCELO NOVAES VAI DE ENCONTRO, CONTRARIANDO OS MELINDRES DAS ALMAS “SENSÍVEIS” , EMBORA MENOS TALENTOSAS, MUITO MENOS) CABRAL ENSINOU O QUE SABIA, POESIA E A MANEIRA DE FAZER A COISA.OS QUE NÃO TEM O QUE FALAR INVENTAM COISAS COMO “SIMULAR POESIA”, TERMINO COM O MESTRE:

“SE FLOR PARECE A QUEM DIGA”, QUE É POR MIM ASSIM TRADUZIDO: POESIA É UM ESTADO MAIS QUE UM CONCEITO, CABRAL GOSTAVA DE CANTADORES DE REPENTE, VIOLEIROS, E COM INFLUÊNCIA DESSA GENTE, ERIGIU O SEU PEDESTAL, ESSES CRÍTICOS QUE NÃO ESCREVEM NADA QUE PRESTE, DESPREZARIAM UM IVANILDO VILANOVA, UM OLIVEIRA DE PANELAS, UM SEBASTIÃO SILVA, PORQUE PARA ELES POESIA É UMA COISA QUE EXIGE UM COMPORTAMENTO CIVILIZATÓRIO- ASSÉPTICO- USP, UM ESTAR BEM VESTIDO, UM CORTE CERTO DE CABELO, UMA BARBA BEM FEITA, E DE PREFERÊNCIA UM CARA QUE SE DIGA FÂ DE UM ESCRITOR DE ALGUM PAÍS EUROPEU, MORTO A 360 ANOS E QUE ERA SUPERIOR A SHAKESPEARE, MAS QUE FOI INJUSTAMENTE OFUSCADO PELO BARDO DE STRATFORD. ENFIM, UM POETA DE SEUS PARES, DE SUA TCHURMA(TCHURMA MESMO), COMO NÃO PARIRAM NENHUM AINDA, REJEITAM NOVAES, IGNORAN-NO, MESMO QUE LEIAM OBRAS-PRIMAS DELE, E AS HÁ , E SÃO MUITAS.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O VASCO É O TIME DO AMOR

O VASCO NÃO VAI CAIR, O VASCO É O PRIMEIRO TIME BRASILEIRO QUE ACEITOU PRETOS, O VASCO TEM UM CÂNTICO DAS SUAS TORCIDAS QUE O AMAM QUE DIZ QUE O VASCO É O TIME DA VIRADA, O VASCO É O TIME DO AMOR. SÓ POR ISSO JÁ NÃO MERECERIA A QUEDA.
NELSON RODRIGUES ESCREVEU EM UMA DE SUAS CRÔNICAS, QUE HAVIA UM TORCEDOR VASCAÍNO QUE OLHAVA AO LONGE E DIZIA: "O VASCO, AH, O VASCO!".
ESTÁ TUDO DITO AI, NESSA FRASE, NESSE AMOR.
QUANDO EU ERA PEQUENO, MEU PAI E EU FAZÍAMOS PARTE DE TORCIDA ORGANIZADA DO VASCO, ÍAMOS A ESTÁDIOS, NÃO SEI SE FORAM TANTAS VEZES COMO EU ACHO QUE FOI, CREIO QUE NÃO, MAS FOI. FOI, É, SERÁ. O VASCO ESTÁ ENTRANHADO EM MIM, IMPREGNOU TUDO.
O VASCO NÃO VAI CAIR. PORQUE NENHUM TIME, MODISMO, FRASE, IDÉIA, PODE DERRUBAR O VASCO. SE FOR PARA A SEGUNDA DIVISÃO, COISA QUE DUVIDO, SERÁ O VASCO, AINDA ASSIM E SEMPRE O VASCO. ONDE CHEGAR LEVARÁ CONSIGO SUA CRUZ, SEU RESPEITO, SUA FEBRE, SUA DOR, SEU RENITENTE E INSUPERÁVEL HINO, SERÁ O VASCO DA GAMA. SEMPRE SERÁ RESPEITADO, ONDE FOR, ONDE ESTIVER. OS FLAMENGUISTAS QUE ZOMBAREM DO VASCO, FARÃO POR FORA, PARA OS OUTROS, PORQUE SABEM QUE AINDA QUE FOSSE EM UM JOGO DOS MELHORES JOGADORES DO MUNDO, VESTINDO A CAMISA FLAMENGUISTA, E OS PIORES USANDO A VASCAÍNA, AINDA ASSIM, E TALVEZ AINDA MAIS POR ISSO, HAVERIA O QUE TEMER.
O VASCO É E SEMPRE SERÁ TEMIDO, AMADO PELOS SEUS, INVEJADO E ODIADO PELOS OUTROS.
NO GRAMADO, DEPOIS DOS JOGOS, DAS BATALHAS INFERNAIS, DAS CONTENDAS HOMÉRICAS, A NOITE, QUANDO O MARACANÃ É SÓ SILÊNCIO, OS DEUSES (ELES EXISTEM MESMO)DO FUTEBOL, SE REÚNEM PARA PUNIR O VASCO, OS PROMOTORES(FLAMENGUISTAS) DIZEM QUE ELE DEVE SER PUNIDO. POR OUTRO LADO, OS ADVOGADOS DO VASCO, DIZEM QUE O CULPADO NÃO É O TIME, É O CANALHA DO DIRIGENTE, UM SAFADO CHAMADO EURICO MIRANDA, QUE ACABOU COM A ESTRUTURA DO CLUBE.
MAS ISSO É BESTEIRA. ISSO PASSARÁ, INDO OU NÃO PARA A SEGUNDA DIVISÃO, O VASCO SERÁ O TIME DO AMOR. O TIME DA VIRADA. O TIME QUE PRIMEIRO ACEITOU PRETOS, E SOBRETUDO SERÁ O VASCO, O MEU VASCO, O MEU TIME.
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sábado, 8 de novembro de 2008

LOBÃO TEM RAZÃO?






LOBÃO NÃO GOSTA DE CHICO BUARQUE, DIZ COISAS QUE NEM UM MARIDO TRAÍDO PELO CHICO, QUE O PEGASSE NA CAMA COM SUA MULHER PODERIA DIZER SOBRE O CARIOCA.
CHICO BUARQUE NÃO ESCREVE POESIA EM LIVROS, MAS É UM POETA DE FATO.

O que será? Que Será?
Que vive nas idéias
Desses amantes
Que cantam os poetas
Mais delirantes
Que juram os profetas
Embriagados
Está na romaria
Dos mutilados
Está nas fantasias
Dos infelizes
Está no dia a dia
Das meretrizes
No plano dos bandidos
Dos desvalidos
Em todos os sentidos
Será, que será?
O que não tem decência
Nem nunca terá!
O que não tem censura
Nem nunca terá!
O que não faz sentido...

BOM, SE ISSO NÃO É POESIA, O QUE É ENTÃO?
CHICO É UM QUASE-GÊNIO (É MARCELO, ACHEI UMA SOLUÇÃO LINGUÍSTICA GENIAL PARA DENOMINAR O CARA QUE ESTÁ MIL VEZES ACIMA DE MIM, E MIL OUTRAS ABAIXO DE SHAKESPEARE), ELE É O ÚNICO CANTOR DE MÚSICA POPULAR, QUE RETIRADA A MELODIA, O RÍTMO E A HARMONIA, SOBREVIVE. CHICO É FANTÁSTICO E FAZ VER QUE NELSON RODRIGUES ERROU AO DIZER QUE TODA UNANIMIDADE É BURRA, CHICO MOSTRA QUE NÃO, QUE HÁ GRANDES HOMENS QUE SÃO RECONHECIDOS EM VIDA.
LOBÃO FOI HOMENAGEADO POR CAETANO (OUTRO QUASE -GÊNIO, DIRIA QUE ESSE UM POUCO ACIMA DO BUARQUE, EM INTELIGÊNCIA, NÃO COMO LETRISTA E MÚSICO)EM UMA CANÇÃO CUJO TÍTULO É: LOBÃO TEM RAZÃO.
SE TINHA PERDEU, SE TINHA, AGORA NÃO MAIS.
QUEM É LOBÃO?
QUEM É CHICO BUARQUE?

Ela adora me fazerDe otárioPara entre amigasTer o que falarÉ a onda da paixãoParanóica!Praticando sexoComo jogo de azar...Uma noite ela me disse"Quero Me Apaixonar"Como quem pede desculpasPrá si mesmoA paixão não tem nada a verCom a vontadeQuando bate é o alarmeDe um louco desejo...Não dá para controlarNão dá!Não dá prá planejarEu ligo o rádioE blá, bláBlá, blá, blá, bláEu te amo!Não dá para controlarNão dá!Não dá prá planejarEu ligo o rádioE blá, blá... (Eu te amo)Sua vida burguesaÉ um romanceUm roteiro de intrigasPrá Fellini filmarCercada de drogasDe amigos inúteisNinguém pensariaQue ela quer namorar...Reconheço que elaMe deixa inseguroSou louco por elaE não sei o que falarO que eu quero é queEla quebre a minha rotinaQue fique comigoE deseje me amar...Não dá para controlarNão dá!Não dá prá planejarEu ligo o rádioE blá, bláBlá, blá, blá, bláEu te amo!Não dá para controlarNão dáNão dá prá planejarEu ligo o rádioE blá, blá, blá, bláBlá, blá, blá, blá...(2x)Não dá para controlarNão dá!Não dá prá planejarEu ligo o rádioE blá, bláBlá, blá, blá, bláEu te amo!Não dá para controlarNão dáNão dá prá planejarEu ligo o rádioE blá, blá...


ESSE É O LOBÃO.





Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei,
gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu
Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite Sonhasse comigo
TalvezU
m lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão pararEntre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais



E ESSE É O CHICO.





AGORA ME CALO.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

LUIZ GONZAGA

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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO, EM DIAS DE ELEIÇÕES NOS EUA, UM DIA DEPOIS DO VASCO MASSACRAR O FLUMINENSE, NO DIA EM QUE A POESIA ME ACENA COM UM ACENO AGRESTE, SECO, DE CAATINGA, NESSE DIA, ESCUTANDO LUIZ GONZAGA, O QUE NADA MAIS É DO QUE UMA LENDA, EU ME COMOVO. LUIZ GONZAGA, TRAZ NA VOZ TODO O LUGAR QUE AMO. UM NEGRO CANTANDO BLUES, DIZ ALGO A UM AMERICANO? O TANGO É ALMA DA ARGENTINA, COMO O FADO É A DE PORTUGAL? A BOSSA NOVA DIZ ALGO SOBRE A ZONA SUL CARIOCA, O FREVO DIZ ALGO DE PERNAMBUCO? CAETANO E GIL SE PARECEM COM A BAHIA? SIM, MAS NENHUM DESSES CASOS ACIMA PODE SE COMPARAR AO QUE GONZAGA REPRESENTA PARA SUA GENTE. GONZAGA É O LUGAR QUE CANTA, E COMO É TRISTE O LUGAR, É TRISTE O CANTAR.


O ÚNICO SANTO DE FATO. A IGREJA TEM CANONIZADA ATÉ ATEU, MAS GONZAGA NÃO. PORQUE ONDE ESTÁ GONZAGA, NÃO PODE ESTAR PIO XII, ONDE GONZAGÃO ESTIVER, DEUS ESTÁ PRÓXIMO. SE ALGUÉM O ACHA POUCO SOFISTICADO, NÃO SABE O QUE É SOFISTICAÇÃO, SE ALGUÉM NÃO GOSTA DELE, TUDO BEM, SE ALGUÉM RI DA MÚSICA DELE, É DIGNO DAS MÚSICAS QUE GOSTA. O VELHO LUA CUJO NOME LINDO É DE MEU PAI E DE MEU FILHO, ME COMOVE SEMPRE. NUNCA HOUVE UM CANTOR TÃO FIEL A PRÓPRIO, DIZ-SE QUE CAETANO É UM EXEMPLO DE ARTISTA PURO, QUE LEVA UM PROJETO PESSOAL ACIMA DA MERCANTILIZAÇÃO DA MÚSICA, PELO MENOS COMO PRINCÍPIO PRIMEIRO, É VERDADE, SE O BAIANO GANHA MILHÕES HOJE FAZENDO PROPAGANDA DE CARROS, ELE COLHE FRUTOS DE PROJETOS OUSADOS, PODE-SE DIZER QUE O MERCADO SE RENDEU A ELE, NÃO O CONTRÁRIO. MAS EM SE TRATANDO DE ARTISTA PURO, LIMPO E VIRGEM, GONZAGA É O MAIS DE TODOS.


QUANDO CANTA O NORDESTE, FALANDO DE UM VAQUEIRO ABOIANDO, PODE PARECER CÔMICO AO IDIOTA DESAVISADO, PORQUE TEM IDIOTAS CULTOS, ISSO SE SABE, MAS AO CARA QUE ACHA GRAÇA NOS ERROS DE PORTUGUÊS DO MESTRE LUA, EU DIGO QUE POUCOS SERES HUMANOS QUE PASSARAM POR AQUI E FORAM CHAMADOS DE MESTRE, SEM O SENTIDO RELIGIOSO DA PALAVRA, CLARO, O FORAM TÃO PROPRIAMENTE DENOMINADOS QUANTO O REI DO BAIÃO.


quarta-feira, 29 de outubro de 2008




Inverno cubista





MARCELO NOVAES





Sua postura faz lembrar,
agora, o debater-se de um
animal ferido,
o coração
acossado por
esporas.
Uma espessa cortina
à frente, e ele andando e
dobrando os cotovelos,
em gestos cubistas,
àdiante,
como se
tivesse as asas
quebradas,
e se curvando enquanto
desce a encosta,
e encolhendo os
braços como se
fosse pássaro.
Sua sombra não voa, nem
esremece,
mais se parece
com um brutamontes negro
contra o horizonte.
Cúmulos-nimbos
pairam,
nuvens encapeladas
cobremseus sonhos de lã amarelada.
Como se um navio singras
se
sobre a alma gentil eencarquilhada.
Como se a estrela-má-dos-navios sobrevoasse
suas órbitas insones,
escuras,geladas.
Ele encolhe os braços, como
pássaro aninhando filete
d'água, e se contorce
como gaze atingida
pelo breu dasnuvens.
Ele sabe o que são
os corvos num
campo detrigo.
Ele sabe o que é o céu escuro
escuríssimo,
no prenúncio datempestade.
Ele sabe o que é o brio,
o turbilhão, a cordilheira.
Ele sabe que o alvorecer traz
cores novas, derrama uma
carroça de cores sobre a
terra.
O alvorecer é pródigo e não
se deixa abater por gestos
cubistas, desvios de caráter
ou embaraços mentais.
As feéricas cores da criação
chamejam sobre tudo, seus
fios de cabelo, vales e
altiplanos.E, de repente, o que era infinito
e negro bisão no horizonte,
se transforma no mais
límpido cinza matinal.
A luz do inverno não encabulaos
acostumados à lua, daí ser
estação modesta,
quando não
neva ou venta demais.
Ele abre as mão aninhadas em
concha, lentamente.
E onde haviafilete úmido,
voa uma ave, piandoo findar da noite.
O dragão é o guardião da
montanha, e seu hálito
dispersa as
nuvens.


SE ISSO É BOBAGEM, QUE NOME DOU AO QUE LI NO BLOG DO IDIOTA DIOGO BERNI?

SHAKESPEARE É BESTEIRA?

EU NÃO VOU LER TODOS OS LIVROS INTERESSANTES OU MESMO BONS, OU AINDA MUITO BONS, PORQUE TENHO COISA MAIS IMPORTANTE A FAZER, COMO POR EXEMPLO DAR BANHO EM MEU FILHO, JOGAR DOMINÓ E FALAR DA VIDA ALHEIA.


O EXCESSO DE LEITURAS SÓ CRIA IMBECIS PRETENSIOSOS, IGNORANTES COM EXCESSO DE INFORMAÇÕES.


SHAKESPEARE, QUER SE QUEIRA OU NÃO, DISSE TUDO, COM TAL CAPACIDADE E COMPETÊNCIA QUE CHEGA A SER MEDONHO COMPARÁ-LO COM OUTRO.


O PAPO É DO BLOOM, MAS É VERO.


PEGUE OS GRANDES DO BRASIL E COMPAREM COM ELE, FAZ PENA. COMO FARÁ SE FORMOS GRANDES DOS EUA, DA JAMAICA, DE ISRAEL, DE TODO OS LUGARES.


FORAM 38 (?) LIVROS, QUE ABORDAM TEMAS COMUNS A TODOS OS OUTROS ESCRITORES, MAS NUNCA COMPARADO AO NÍVEL DE SHAKESPEARE.


BLOOM DIZ QUE É ELE, MAS DOIS GATOS PINGADOS QUE FORMAM A LEITURA OBRIGATÓRIA E QUE GERA SABEDORIA. É A PURA VERDADE. SECA, E LÍMPIDA.


UM IMBECIL CHAMADO DIOGO BERNI, DISSE QUE EU SÓ LIA E ESCREVIA BOBAGENS. ACERTOU METADE.


O AUTOR PREFERIDO DELE É JOSE SARAMAGO, O MEU É SHAKESPEARE. VOU DIZER CLARAMENTE A VERDADE, SEM ENROLAR, JÁ LI "HAMLET", MAIS DE UMA DEZENA DE VEZES, VÁRIAS VERSÕES CINEMATOGRÁFICAS, UMA PORRADA DE ENSAIOS, E CONTINUO ACHANDO SEMPRE ALGO NOVO NO LIVRO. SE EU LEIO BESTEIRA (SHAKESPEARE) E ELE, O QUE LÊ?


SARAMAGO É UM BOM ESCRITOR(PELO MENOS DIZEM ISSO) SHAKESPEARE É SUPERIOR A ELE EM TUDO, SHAKESPEARE É O QUE HÁ DE PRINCIPAL, DEPOIS OS OUTROS.


MACHADO ESCREVEU ABOBRINHAS, DOSTOIEVSKI TAMBÉM, E MUITOS OUTROS, SHAKESPEARE NÃO. DISSE E REPITO AGORA: O PIOR LIVRO DE SHAKESPEARE (SE ISSO EXISTIR) É SUPERIOR A TUDO O QUE SARAMAGO ESCREVEU. AI VEM IDIOTA ME DIZER QUE LEIO BOBAGENS.


LI BIOGRAFIAS DE ALGUNS ESCRITORES, CONHEÇO POUCO DA VIDA DE SHAKESPEARE, NEM ME INTERESSA ISSO. NÃO TENHO DEVOÇÃO POR ELE, NEM POR NINGUÉM, MAS O QUE É GRANDE TEM DE SER ADMIRADO.

SARAMAGO É BOM, REPITO, MAS O BARDO FOI O MELHOR.

SHAKESPEARE NÃO ERA POETA, MAS OS SONETOS DELE SÃO SUPERIORES A TODOS OS OUTROS SONETOS QUE LI.
PODE-SE LER SÓ SHAKESPEARE E SER CULTO (NÃO É O MEU CASO, LI MAIS). SE VOCÊ LEU OS LIVROS DE SHAKESPEARE A ABSORVEU TUDO, ADQUIRE CONHECIMENTO SOBRE A NATUREZA HUMANA SUFICIENTE PARA DISCERNIR AS COISAS, NOÇÃO ESTÉTICA ACURADA. SHAKESPEARE CONDENSA TODA A LITERATURA, NO QUE ELA TEM DE MELHOR, CONSEGUIU, E ISSO É O MAIS ESTUPENDO, SER APRECIADO POR UM NÚMERO ENORME DE PESSOAS, SENDO UM ERUDITO, UM CRIADOR LINGÜÍSTICO FANTÁSTICO. SE FALAMOS DE CRIAÇÃO LINGUÍSTICA NÃO LEMBRAMOS DO BARDO, PORQUE AS QUALIDADES DELE SÃO TANTAS, QUE EXALTAR ESSAS SERIA DISPENSÁVEL, NÃO É; ELE FOI O MAIOR CRIADOR TAMBÉM AI, GUIMARÃES ROSA, QUE EU AMO, QUE NÃO ERA MENOS QUE UM GÊNIO, QUE TINHA A CRIAÇÃO E RECRIAÇÃO DO IDIOMA COMO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS, E QUE MERECIDAMENTE É RECONHECIDO COMO O MAIOR CRIADOR, NO SENTIDO ESTRITAMENTE FORMAL DE CRIAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE LINGUAGENS, PERTO DE SHAKESPEARE , SOME. PORQUE? PORQUE O BARDO USOU SOMENTE 24 MIL PALAVRAS, UM RECORDE NA HISTÓRIA DA LITERATURA, 10% DELAS CRIADAS OU MODIFICADAS PELO PRÓPRIO, TRANSFORMANDO VERBO EM ADJETIVO E VICE-VERSA. COLOCANDO SUFIXOS OU PREFIXOS, MOLDANDO-AS, PARA DEIXÁ-LAS COM O SENTIDO QUE TEM HOJE. SEGUNDO BLOOM, E AI NÃO ME METO POR SER ASSUNTO DE GENTE GRANDE, O DICIONÁRIO INGLÊS FOI FEITO A IMAGEM E SEMELHANÇA DO BARDO.
QUAIS PERSONAGENS NA HISTÓRIA DA LITERATURA FORAM TÃO MARCANTES QUANTO OS CRIADOS PELO GÊNIO?
QUAIS PERSONAGENS DA LITERATURA TINHAM A CAPACIDADE VERBAL DOS CRIADOS POR SHAKESPEARE?
QUANTOS AUTORES TEM UMA QUANTIDADE TÃO GRANDE DE OBRAS-PRIMAS?
QUANTOS SÃO OS QUE TENDO PASSADO SÉCULOS DE SUA MORTE, PODEM SE DIZER ESTUDADOS POR OS MAIORES ACADÉMICOS DO MUNDO E FILMADOS PELOS GRANDES CENTROS COMERCIAIS PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA?
SÓ WILLIAM SHAKESPEARE.
SARAMAGO PODE SER BOM, DEVE SER MESMO, ENTRE OUTROS MOTIVOS PELO APREÇO QUE MEU AMIGO NOVAES O TEM, MAS UMA COISA É SER BOM ESCRITOR, OUTRA COISA É SER O MAIOR ESCRITOR, UMA COISA É LER SARAMAGO, OUTRA COISA É LER SARAMAGO E DIZER QUE QUEM LEU SHAKESPEARE, LEU BOBAGENS. PODE-SE DIZER QUE ESCREVO BOBAGENS, ISSO É VERDADE, MAS DAI A DIZER QUE LEIO BOBAGENS, SÓ MESMO UM IMBECIL QUE NÃO SABE A DIFERENÇA ENTRE SARAMAGO E SHAKESPEARE, PODE CONCEBER.
NA LISTA DE BLOOM ELE COLOCOU CINCO LIVROS DE SHAKASPEARE NA LISTA DOS MELHORES, OUVE IDIOTAS QUE CHIARAM, ELE SE COLOCASSE OS 39, AINDA ASSIM SERIA JUSTO.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

PARABÉNS, PITOCUDO.






ELE ME CHAMA DE "ZÉ ROELA", "COXINHA", "BODE VELHO", DIZ QUE EU SOU UM "PATO" NO VÍDEO GAME, GOSTA DE ME FAZER DE EMPREGADO, ME CHAMA DE BURRO.

TODA SEXTA-FEIRA ELE VEM, E FICA COMIGO, E RIMOS, DORMIMOS E COMEMOS JUNTOS.

É, AMANHÃ ELE FARÁ SETE ANOS. TÁ GRANDE, FORTE, EU TAMBÉM. ELE MAIS FORTE POR FORA, EU MAIS FIRME POR DENTRO.

ELE ESTÁ MAIS FALANTE, EU JÁ NÃO BEBO. ELE AINDA NÃO FAZ PLANOS PARA O FUTURO, EU SIM.

VÍNHAMOS ANDANDO DE NOITE, E EM UMA PONTE DE FERRO, ELE ME PERGUNTOU: PAÍNHO, QUANDO VOCÊ VAI FICAR BOM?

QUANDO EU TOMAR UM MONTE DE COMPRIMIDOS.

E ELE: UM MONTE ASSIM, FEZ UM GESTO LINDO, ARQUEANDO OS BRAÇOS.

EU DISSE: É.

FAZ QUASE TRÊS ANOS ISSO, E NÃO HOUVERAM MUITOS DIAS NESSES MAIS DE MIL, EM QUE NÃO ME LEMBRE DESSA CENA.

DE LÁ PARA CÁ NÃO MUDOU MUITA COISA NAS NOSSAS COISAS E MANEIRAS, MENOS AINDA NOS MEUS GOSTOS, CONTINUO GOSTANDO DAS MESMAS COISAS E LOISAS, NÃO GOSTO DO QUE NÃO GOSTAVA ENTÃO, GOSTO DO VASCO AINDA, APESAR DE...

BOM, LEVANTO O TOM, E ME ANIMO PORQUE AMANHÃ NÃO É UM DIA QUALQUER, AMANHÃ É DIA 28 DE OUTUBRO, É DIA DO PITOCUDO BRANCO COMPLETAR 007 ANOS, É DIA DO REI DOS PITOCUDOS BRANCOS, É DIA DE AMOR.

E SE É AMOR, FALEMOS DELE.

GOSTO TANTO DELE QUANTO UM SER PODE GOSTAR DE OUTRO, QUALQUER TREJEITO DELE É UM DESLUMBRE NOVO.

SE ALGUÉM ACHAR ISSO AÇUCARADO, DESINTERESSANTE, OU PESSOAL DEMAIS, EU , DELICADAMENTE, DEVO DIZER: DANE-SE!

PORQUE PERTO DELE SHAKESPEARE VIRA UM TOLO, LITERATURA, UMA CHATICE, CAETANO, VASCO, O QUE PREZO, SOME, PORQUE PREZO MAIS UM SORRISO DELE QUE QUALQUER OUTRA COISA.

O QUE HÁ NA VIDA QUE VALE A PENA?

UM FILHO.

AMANHÃ NÃO ESTAREI COM ELE NO ANIVERSÁRIO DELE, ESTOU EM RECIFE, MAS ESTOU ALEGRE, E ELE SABE QUE NÃO ESTARMOS JUNTOS É O QUE MENOS CONTA, NOS AMAMOS MUITO.

ELE NÃO NÃO SABE LER AINDA, MAS SABERÁ , E QUANDO SOUBER, LERÁ O QUE DIGO-LHE AGORA COM FEBRE, SEM DOR:



NO DIA EM QUE VOCÊ FAZ SETE ANOS, EU CREIO MAIS NO HOMEM, NÃO ACHO NADA MAU, PROPONHO AMIZADE AO UM CARA QUE ME XINGOU. SABE PORQUE? PORQUE É SEU ANIVERSÁRIO.
NO DIA EM QUE FAZES MAIS UMA ANO, ME EMOCIONO, FICO ALEGRE, AMENO, CORDIAL, MENOS PESSIMISTA, MENOS ATEU, MAIS PIEDOSO, MENOS ARROGANTE. MAIS HUMANO, SABE PORQUE?
PORQUE É DIA DE LEMBRAR QUE VOCÊ HABITA E DEIXA MAIS HABITÁVEL O NOSSO MUNDO, O MEU MUNDO.
VOCÊ ME SURPREENDE, SEMPRE. ME LIVROU DOS VÍCIOS, DA MINHA ALMA PODRE, DE MINHA DOR.
QUANDO VOCÊ VEIO AO MUNDO, O MUNDO SE ME APRESENTAVA TRISTE, PORQUE ME DERAM UM PRAZO(DOIS ANOS) PARA EU DEIXÁ-LO, CONFABULEI A IMENSA DOR QUE SERIA NÃO PODER TE PEGAR NOS BRAÇOS, E HOJE PEGO-O NO BRAÇO(DE VEZ EM QUANDO, O CARA É UM TOURO), DOS DOIS ANOS SE PASSARAM MAIS CINCO, E ESTOU VIVO,FELIZ E TE DEVENDO, SEMPRE.
QUANDO VOCÊ ME DISSE COISAS QUE ME ASSUSTAM, AINDA HOJE, QUANDO LEMBRO DELAS, ME FEZ SAIR DO VÍCIO , ME FEZ VOLTAR PARA DENTRO DA VIDA.
VOCÊ É O QUE SALVOU O PAI, E QUEM SALVA UM SER TEM MEU RESPEITO, QUE, SALVA UM PAI, MINHA DEVOÇÃO.
SEJA FELIZ, SEJA O QUE SEJA, PROCURE O BEM, O CERTO, O CORRETO.
SIGA SEMPRE EM FRENTE, E QUANDO FOR MAIOR, SABERÁ QUE MINHA ALEGRIA DE VIVER TEM UM NOME, REGISTRADO, EM CARTÓRIO POR MIM, SIM, MINHA ALEGRIA EXISTE FISICAMENTE, ANDA, FALA , SORRI, GARGALHA, JOGA E ME CHAMA DE "ZÉ ROELA". MINHA ALEGRIA NÃO É FRÁGIL, PORQUE UMA AMOR DO TAMANHO DO QUE SINTO POR VOCÊ, NÃO É FRÁGIL NUNCA.
DEUS TE ILUMINE, TE PROTEJA E TE FAÇA UM HOMEM DE BEM.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

38,8 %



PARABÉNS




PARABÉNS POETA, PARABÉNS E SÓ. NÃO POSSO MAIS, O POETA AQUI É VOCÊ, EU SÓ SOU 38,8% DISSO. QUE OS POEMAS CONTINUEM, QUE A FONTE NÃO SEQUE, QUE TUDO SEJA MELHOR DO QUE HOJE. SARAVÁ POETA, VIDA LONGA A VOCÊ, VIDA LONGA AO POEMA. PORQUE ENQUANTO EXISTIREM POETAS NO MUNDO, AINDA HÁ O QUE FAZER AQUI. PORQUE A POESIA NÃO ESTÁ MORTA, COMBATE EM DESIGUALDADE COM COISAS MENORES, BAIXAS, MAS SEMPRE NÃO FOI ASSIM?
ONTEM TE QUEBREI UM GALHO (PELO MENOS TENTEI) E NÃO FIZ POR SER BONZINHO, POR ALTRUÍSMO OU DESPRENDIMENTO, FIZ POR UM MOTIVO MESQUINHO, ORDINÁRIO, EGOÍSTA MESMO. QUANDO TENTEI TE AJUDAR COM TEU COMPUTADOR(E PARA OS QUE NÃO SABEM, NESSE ASSUNTO EU DOU DE DEZ NELE, O BARDO, O QUE ESCREVEU "A MULHER VERDE", NÃO SABE NEM DESCOMPACTAR UM ARQUIVO "RAR")RARARARÁ, SEM TROCADILHOS POR FAVOR, TINHA EM MENTE MEU FILHO. DAQUI A QUINZE ANOS ELE TERÁ 22 ANOS, ESTARÁ ASSISTINDO TV, ME TERÁ COMO ÍDOLO, PORQUE VENCI UMA DOENÇA INVENCÍVEL SEM DEIXAR A O PETECA CAIR, ENTÃO ESTARÁ TROCANDO DE CANAL QUANDO GRITAREI: DEIXA AI! NO VÍDEO UM VELHO FALANDO PARA UMA ENTREVISTADORA CULTA DE UMA TV MEDIANA, PREOCUPADA MAIS COM A QUALIDADE DO QUE TRANSMITE DO QUE COM O QUANTO ENTRA EM CAIXA PARA TRANSMITI-LO, DIRÁ: MEU PRIMEIRO LIVRO "A FRANJA BRANCA DA LUZ" E TAL , TAL , TAL, ENTÃO DIREI A MEU FILHO; ESSE CARA É MEU AMIGO, E EU ENSINEI ELE , TODA UMA MADRUGADA (EXAGERAR UM POUQUINHO, PRINCIPALMENTE PARA SE ELEVAR AOS OLHOS DE UM FILHO, NÃO É PECADO)A MELHORAR O COMPUTADOR DELE.
É POETA, NO PC EU SOU MELHOR QUE VOCÊ, ENTÃO FAÇAMOS O SEGUINTE: VOCÊ SABE 38.8% DO QUE SEI QUANDO O ASSUNTO É INFORMÁTICA, EU SEI 38,8% DO QUE VOCÊ SABE NA ESCRITA. TÁ BOM, EU SEI QUE NÃO ESCREVO OS 38,8% DO QUE ESCREVES, TALVEZ 1,8%, MAS RELEVE.
FECHADO?