terça-feira, 3 de junho de 2008

JOSÉ WILKER

José Wilker, sempre gostei do cara, seu jeito Brasil-Europa, com a melhor parte do Brasil, com a melhor parte européia. Ontem vi um filme em que ele protagoniza um personagem de um astrofísico, com uma verdade de doer. Claro que não irei contar o filme aqui, como Millôr Fernandes, tenho algumas qualidades pessoais que prezo, e essa de não contar filmes que a pessoa não viu é uma delas.
É deslumbrante, verdadeiro até no que tem de fantasia. Você assiste com todos aqueles recursos que o cinema usa para lhe comover, e que são abomináveis, como a câmera lenta, a música ao fundo, e outras coisas que fazem do cinema a menos crível das artes. Mas mesmo assim é um belo filme.
Numa cena genial do Wilker(ele está espetacular todo o filme), ele diz a um vigarista que se passava por advinha: a senhora não tem vergonha não? Ao que ela lhe diz: foi cinco reais(sic).
É impressionante como as pessoas procuram algo que não existe, como pode um ser achar que poderá ser feliz, esse estado existe? Há possibilidade real de alguém ser feliz? Não falo da felicidade momentânea, essa até os mais tristes conhecem, falo de um estado perene de alegria que só um lunático experimenta. Falo de uma felicidade que se existisse seria insuportável, idiopática, medíocre, sem vigor. As coisas existem em função dos seus contrários, todo o prazer advém daí, o contrário é pura conversa mole. Se o sujeito for conhecedor só do bem ele é amoral, sem noção de valores. Felicidade é a capacidade que o ser tem de saber que nunca será feliz e fazer disso um consolo, um espécie de couraça contra a dor, e ponderar: se não serei feliz, também não serei infeliz. O diabo é você querer uma coisa que nunca terá. Viver é consolar-se.
Noutra cena de impacto, a menina diz: -vá receber sua medalha! Ao que o antes frio, indiferente cientista exaurido pela realidade dolorosa das favelas cariocas, lhe dizi: -enquanto esse mundo for essa merda, ninguém merece uma medalha.
Não sou muito chegado a cinema, mas amei o filme.

2 comentários:

Marcelo Novaes disse...

Oi, Wellington.

Não conheço o filme, mas conheço bem o desempenho habitual do Wilker. Suas reflexões sobre bem e mal, felicidade e infelicidade são muito boas. temos de economizar nas medalhas e nos "hip-hip-hurras".
Os adjetivos "maravilhoso" e afins cabem bem nos programas de auditório, tipo Luciana Gimenez, Adriane Galisteu, Hebe e outros, onde uma das falas recorrentes dos entrevistados é: "não me arrependo de nada do que fiz, só do que não fiz". Bom, ou essas pessoas vestem o personagem de que nunca fizeram uma burrada, ou não aprendem nunca. Eu faria um monte de coisas diferentes: não faria algumas, e faria outras. E, no final das contas, as medalhas só fariam sentido num mundo que se aproximasse mais, em sua realidade, da maravilha que se propagandeia em vão... Com esse comentário, falo também do assunto acima, da autobiografia. A autobiografia é um "recorte", na melhor das hipóteses ( aquela "memória seletiva" ). Mas de qualquer maneira, só por não pintá-la de dourado, a sua sinopse revela um roteiro digno e franco. A de Freud não é essas coisas também não. Nem a minha.


Abração,


Marcelo.

www.mirzesouza.blogspot.com disse...

Pode me dizer o nome do filme, por favor!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Beijos



Mirze