quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O BLOG NÃO JUSTIFICA O POEMA, O POEMA NÃO JUSTIFICA O BLOG.



a rua
o casario
a ladeira
o espelho dágua
a baia de Guanabara


SE O CARA ESCREVER UMA COISA DESSAS E DISSER: ASSINA EMBAIXO, QUE TE DOU A AUTORIA, EU NÃO ASSINARIA POR VERGONHA. NÃO POR TER UMA REPUTAÇÃO A ZELAR, NÃO SEI ESCREVER POEMAS, TAMPOUCO CONHEÇO MINHA LÍNGUA COMO DEVERIA, MAS LI ALGUNS BONS LIVROS E NUNCA FUI BURRO. O CASO É QUE SAIU ESSA PÉROLA NO BLOG DE QUEM ESTÁ MUITO ACIMA DEMIM, EM INTELIGÊNCIA E CONHECIMENTOS DE LÍNGUA. O INCRÍVEL É QUE LOGO OS COMENTÁRIOS (8) AFAVOR ME DEIXARAM PERPLEXOS, COMO PODE PESSOAS CULTAS ELOGIAREM UM TEXTO DESSES?
POSTEI NOS COMENTÁRIOS DO BLOG, UM POEMA DE MARCELO NOVAES, CUJO TÍTULO ERA "O CONTADOR DO TEMPO" E NÃO HOUVE NEM UM ENTUSIASTA DO POEMA, COLOCO ASEGUIR O TEL POEMA:



O Contador do Tempo
Para Guimarães Rosa





MARCELO NOVAES
















Eu estou sempre na grande escadaria.
Eu estou no barco de pau a pique, entre
as duas margens do Rio Pardo. Eu não
sou quente. Eu não sou frio. Eu aguardo.










Viro um copo de aguardente - num só
trago -, e te meço, de cima a baixo. Eu
não estou no topo, mas no meio. Não sou
vesgo, não sou torto. Nem, tampouco, feio.
Aciono teu medo por controle remoto, pois
já descobri o jeito.









Maneira estranha de estar no mundo, na
grande escada: distribuindo ervas e guirlandas.
Apontando estradas. Sempre com nova postura.
Muitas vezes, no agachado. Mas agora de pé, onde
me equilibro. Forte. Rijo. Forte demais pra pretender
só uma das margens do rio.











De onde estou - bem no meio -, eu reúno as duas.
Eu miro as margens, e as possuo. Comparo os passos
dos que passeiam dos dois lados. Conto sombras e
grãos de areia. Antecipo as correntes do rio com
meus olhos de vidro. Frios. Azuis.Um azul anil.











Se me olhar, de repente – à tua esquerda, nunca à tua
frente -, saiba: eu assobio. E acordo uma memória que
dormia em tua mente.











Eu estou sempre na grande escadaria. Não sou morno,
não sou quente. Pesadelo ou fantasmagoria. Não estou
no topo, mas no meio. E sei contar o tempo. Sem perder
segundo. E do rio - bem do seu meio -, eu sei o mundo.



NÃO HÁ O QUE COMENTAR, SE ALGUM SER HUMANO ACHA O POEMA DO BLOG DO ANTONIO CÍCERO, LINDO, E NÃO TEM NADA A DIZER SOBRE O POEMA DE MARCELO NOVAES, NÃO HÁ MUITO QUE EU POSSA FAZER, A NÃO SER VIR AQUI E LAMENTAR.
PARA MIM, E MUITO VALE MINHA OPINIÃO SOBRE AS COISAS (NÃO DIGO QUE GOSTO DE UMA COISA SÓ PORQUE FOI FULANO QUE ESCREVEU, SÓ PORQUE FOI NO BLOG DO CÍCERO) O QUE BOM É BOM, SEJA NO BLOG DE UM CARA COMO EU, ILETRADO, O RUIM É RUIM, MESMO QUE POSTADO POR ANTÔNIO CÍCERO, CULTO, INTELIGENTE.

4 comentários:

Moacy Cirne disse...

Meu caro: múltiplos são os caminhos da poesia, múltiplos são os caminhos estéticos. Claro, você sabe disso. Mas por que as experiências paraconcretas, dentro de seus limites semânticos, não poderiam ter seu valor? Decerto, entre o exemplo citado e o poema de Marcelo, prefiro o poema de Marcelo. Contudo, não jogaria no lixo o outro poema. Há lugar para todo mundo, desde que haja competência e sensibilidade no que é feito/proposto, não?

Um abraço.

Moacy Cirne disse...

Em tempo: Gosto da poesia de Jorge Salomão, autor do poema citado por você. Outro abraço.

Mirse disse...

Fascinante essa sua sinceridade de confronto. Me ensina?

Beijos

Mirze

Lenildo Ferreira disse...

Companheiro, achei teu blog, e esse texto, por acaso. Li o post porque diz muito do que penso, e ainda ontem estava aqui planejando publicar um texto sobre um livro de poesias que estou dando uma lida, onde o que mais tem é porcaria.

Esse comentário do primeiro colega (Moacy) com todo o respeito a ele e a opinião que manifestou, que discordar veementemente, porque é sempre a desculpa esfarrapada dessas poesias medíocres: estética, "experiências paraconcretas", "limites semânticos"... PUFFFF!!! Estamos falando de poesia, aquilo que toca a alma, que penetra a mente e o coração de cultos, iletrados e analfabetos, ou de experiência científicas super secretas? Pelo amor de Deus!!!

Poesia que não é assim, mas que precisa de um curso para se entender, não é poesia, é LIXO - não reciclável.

Abraços