sexta-feira, 8 de maio de 2009

VAZIO


Eu choro por um poema de um poeta
Mineral.
Eu riu um riso torto, quase que tosse.
Mal.
Eu grito o mesmo grito, o mesmo gesto,
No carnaval.
Embolo que não me posso, que nem contenho, que me disperso, que me espalho, que me diluo, e mais condenso, e mais refino, e mais refuto, e mais amputo de mim o caos.

Reveses são só reveses,

mesmo que firam,

mesmo que doam,

já tive tantos, e tão mais fortes,

e tão mais lentos,

que fazem dores mais doídas

porque demoradas,

e quando mais demora,

seja dor, fila ou parto,

causa um estagnar-se,

um ficar ao Leo ,

ficar-se ao vento,

despregar-se e desprender-se de si mesmo,

como o pássaro do cão sem plumas,

que finca suas raízes no ar.

Saber perder não é ser filósofo,

não é ser sábio, não é ser anjo,

ou que de bom se possa atribuir a essa sabedoria.

Mas antes é como o craque que sai de cena,

na hora certa,

ou o que deixa um protesto contra sua saída,

ou o que ao sair deixa espaço

por saber que não pode ser preenchido,

então não deixa espaço, deixa vazios.

Que faz o vazio ser ainda mais cruel

porque não há como encher,

nem inundar, nem tirar.

Um vazio tão vazio que traz outros vazios dentro.

5 comentários:

Mirse disse...

Este deve ir para o próximo desfile de poetas! Vazio trazemos desde que nascemos. É aquele vácuo na alma, sem explicação que tem os naciturnos. Culpamos o presente, mas ele vem de longe. E pode ser preenchido, sim. Dói mesmo. Você está certo.

Parabéns, Belíssima postagem!

Beijos

Mirse

Marcelo Novaes disse...

Wellington,




Deixar vazio, não espaços. Vazio que traz outros vazios dentro...




És poeta.








Abraços,







Marcelo.

YaRa disse...

Ta vendo...quando eu digo que pra você ser um poeta incrivel só te falta a disposição pra escrever voce ainda discorda....Isso foi incrivel...forte...tocante e especial...como você....Meu amigo, meu POETA , meu irmão....AMEI!!!!

WELLINGTON GUIMARÃES disse...

MIRZE,



MEUS AGRADECIMENTOS, PELA CONSTÂNCIA IMERECIDA DEDICADA AS MINHAS BOBAGENS.



MARCELO,


BOM, O POEMA É ,COMO DIGO ISSO, O POEMA É UMA CANHESTRA, PÁLIDA, DESBOTADA TENTATIVA DE NÃO FAZER UM POEMA RUIM, USANDO COLAGENS CABRALINAS. O NEGÓCIO DOS VAZIOS TEM MAIS DE JOÃO(ENQUANTO IDÉIA, NÃO COMO PALAVRA OU FRASE) DO QUE MEU. NÃO É DESVALORIZAÇÃO, GOSTEI DO QUE ESCREVI, ALIÁS, SEMPRE GOSTO, MAS SEI DE LIMITES.
SOU POETA?
VOCÊ O DIZ,E VOCÊ O MELHOR DE TODOS OS POETAS VIVOS. GOSTE VOCÊ QUE EU DIGA ISSO, OU NÃO.



YARETE,


COMO É BOBA!
LINDA E BOBA.
PARE DE FICAR DIZENDO QUE ME AMA, JÁ LHE DISSE QUE É SUA OBRIGAÇÃO, VOCÊ TEM DE ME AMAR.
BEIJOS.

Adrianna Coelho disse...


poxa!!

"Que faz o vazio ser ainda mais cruel
porque não há como encher,
nem inundar, nem tirar.
Um vazio tão vazio que traz outros vazios dentro.



ando entendendo muito desse tipo de vazio ultimamente, well.

gostei muito do texto!

beijos