sábado, 26 de julho de 2008

O NELSON DE MARCELO

EU SOU O NELSON RODRIGUES DE MARCELO NOVAES. E MARCELO NOVAES É O OTTO LARA RESENDE MEU.
NESLON RODRIGUES TINHA UMA ADMIRAÇÃO LITERÁRIA POR OTTO LARA RESENDE QUE CONSTRANGIA O MINEIRO. DIZIA COISAS DO TIPO: O OTTO ERA PARA TER UM FUNCIONÁRIO PAGO PELO ESTADO SÓ PARA ANOTAR O QUE O OTTO DIZ. OTTO FICAVA ENJVERGONHADÍSSIMO E REFUGAVA OS ELOGIOS FEITOS POR NELSON.
NELSON ENTÃO ESCREVEU A PEÇA "BONITINHA, MAS ORDINÁRIA" E ACRESCENTOU AO TÍTULO "OU OTTO LARA RESENDE". O OTTO FICOU PUTO, DISSE QUE NÃO MATAVA O NELSON PORQUE ASSASSINATO ESTAVA CAPITULADO NO CÓDIGO PENAL
ESSE EXAGERO NO GOSTAR ME REMETE A OUTRO GÊNIO, O ROSA, QUE NO SEU GRANDE SERTÃO ESCREVE: "QUERER O BEM DE INCERTA FORMA, DE QUALQUER JEITO, JÁ PODE SER QUERER O MAL POR PRINCIPIAR."
A INTENÇÃO É BOA E É ISSO QUE IMPORTA.

3 comentários:

Marcelo Novaes disse...

Olá, Wellington.

Ao contrário de Otto Lara Resende, não fico "constrangidíssimo" com teus elogios, não. Há algo de excessivo neles, mas longe estão da idolatria. Não há idolatria.
Sou um escritor difícil, denso, trágico ( no mais das vezes), com temas originalíssimos ( não cabe tirar o superlativo aqui, e a sucessão de poemas vai obrigar qualquer um a reconhecê-lo), com uma mitologia pessoal riquíssima ( no nível da de Borges, por exemplo, ainda que ele escrevesse melhor do que eu as suas histórias). Você é um leitor e amigo atento e querido. Alguns bons escritores cometem erros de julgamento por razões diversas. Ferreira Gullar, quando do surgimento de Guimarães Rosa, se arriscou a dizer que ele "fazia um wesrtern brasileiro, cheio de neologismos e arcaísmos de linguagem, e que seria uma moda passageira". O que se passava na cabeça-alma-coração de um Ferreira Gullar pra dizer tal asneira?! John Keats disse de si o seguinte: "Serei lembrado como um bom escritor inglês do meu tempo". É nesse patamar que me coloco, e nisso não há modéstia alguma. Sou um bom escritor em língua portuguesa, não-popular, pelos meus temas, pelas minhas construções semântico-sintáticas, pela abundância e riqueza de imagens e referências e, sobretudo, por ser um ESCRITOR TRÁGICO. Com uma retórica à altura do que pede a Tragédia, com maiúscula. E sei ser lírico também, e muito. E Mítico, como poucos. Estou, sim, na primeira fila da literatura em língua portuguesa dos dias de hoje, quer reconheçam ou teimem em não reconhecer. Leia o texto que postarei hoje ou amanhã: "Liturgia das Horas Enfermas" e eu, Marcelo ( não é Wellington que diz, sou eu) te digo que quem ler e disser não ver nada de especial ali, MENTE. Não há trinta brasileiros em atividade capazes de fazerem algo equivalente, nem dentro da Academia Brasileira de Letras. E ponto. Mas a questão é que meus "heróis literários" são muito altos. Meu patamar de comparação é alto. Eu leio e li António Lobo Antunes, e aquilo tem a dimensão de um Ulisses à segunda potência. Eu sou fã de Guimarães. De Hilda Hilst. De Baudelaire. De Pessoa. Aprecio e reconheço a magnitude de João Cabral. Eu li tudo de Borges e Cortázar Eu olho para o horizonte alto, por isso não maximizo nem fantasio o meu lugar COMPARATIVAMENTE A ESSES MESTRES. Mas, no Brasil de hoje, uma tal de Morgana Dark vai vender livros adoidado, misturando Sexo com Wicca e pseudo-conceitos góticos. Pode escrever. 150 mil exemplares, no mínimo. Anota a profecia. Como Bruna Surfistinha. Não sou ambicioso. Quero ter um livro de poesias publicado ( bem publicado, por uma editora com boa distribuição e impressão) e um livro de ensaio ( "O Olho Que Nos Olha Nos Olhos"). Só. Nada mais. E ser reconhecido como um psicanalista que TAMBÉM ESCREVE BEM, PORQUE TAMBÉM PENSA BEM ( ENSAIO, POEMA). Nada mais do que isso. Sem títulos que não este. Sem grandes vendagens. Sem ficar "rico". Sem prêmios. Meus objetivos não me parecem pretenciosos para o material reflexivo-poético que eu produzo.
Daí minha produção não pretender ser "indefinida" ou "infinita". É um cartão de apresentação: "Eis aqui o Marcelo, psicanalista e escritor". Meu sonho é poder, além de pagar o condomínio de meu consultório e do apartamento de meus pais,e as despesas do dia à dia, atender pacientes numa chácara perto de São Paulo ou de uma outra capital. TODO O MEU SONHO DE CONSUMO SE RESUME NISSO.TER UMA CHÁCARA ONDE TRABALHAR. Para isso, tenho de ser razoavelmente conhecido, reconhecido, para me dar a esse "luxo". Só isso. Nesse país de megalomaníacos dos sonhos de consumo, serei eu algum "campeão da ambição"?! Acho que não subo nesse pódium, nem para pegar medalha de bronze. Na literatura, me satisfaço em ficar entre os quarenta. Quero ser um bom analista que escreve bem, e que possa fazer resenhas, mostrar seu trabalho e ter visibilidade que me permita uma vida menos estressante do que ter que morar / trabalhar numa cidade onde se gasta cinco horas no trânsito por dia. Só isso. Creio ter méritos para tal. Falta a tal "visibilidade".

Um grande abraço, e serei sempre grato ao seu apoio / apreço que, de idólatra não tem nada.
Obrigado pelo espaço à exposição de minhas "ambições" e ao desabafo.
E aguarde "Liturgia das Horas Enfermas". Se alguém falar que não é bom, está de má fé. Assim como "Anjo Insepulto", "Vôo Solo", "Esperança Póstuma", pra te lembrar de outros que não citei da outra vez.

Fica com Deus.


Marcelo.

WELLINGTON GUIMARÃES disse...

MINHAS INFLUÊNCIAS NÃO SÃO AS SUAS, EU VI COISAS QUE VOCÊ NÃO VIU, PASSEI COISAS QUE VOCÊ NÃO PASSOU, PARA BEM E PARA MAL,E LÓGICO, A RECÍPROCA É VERDADEIRA.
EU NÃO LI BORGES PELO MOTIVO MAIS IDIOTA QUE POSSA HAVER, MINHAS REFERÊNCIAS LITERÁRIAS SÃO IGUALMENTE ALTAS: SHAKESPEARE, DOSTOIEVSKI, PESSOA, MACHADO, O ROSA (MEU PRIMO), E JOÃO E NELSON, BAUDELAIRE, ENFIM, GENTE GRANDE.
NÃO FICA BEM PARA NINGUÉM SER COMPARADO A ESSES SERES QUANDO O ASSUNTO É LITERATURA, MAS O QUE DIGO É QUE SUA POESIA SE COLOCA ENTRE AS MELHORES QUE LI, E NÃO É INFERIOR A BOA POESIA ESCRITA HOJE E SEMPRE.
SE ALGUM ILUMINADO ME MOSTRAR ONDE E PORQUE SUA POESIA É INFERIOR A DE POETAS DE RENOME COMO O FERREIRA GULLAR, ME CALO.

Mirse disse...

Estou aqui batendo palmas e vocês não estão ouvindo. Marcelo o que você quer é muito pouco para o que você é; mas não quero vê-lo sentado ao lado do orelhudo fardado, lembra do "cueio". Estou feliz com suas poucas ambições, pois você deixa a nós leitores um legado que não há como definir.
E a você, Wellington, lanço o desafio de encontrar atualmente UM iluminado. Só um.

Bravíssimo ao diálogo!

Beijos

Mirze