domingo, 20 de julho de 2008

PORQUE JOÃO CABRAL DE MELO NETO E NÃO DRUMMOND


Desde muito tempo leio nas resenhas de poesia a seguinte afirmação ligada ao nome de Carlos Drummond de Andrade : o maior poeta brasileiro!
Eu tenho uma enorme tendência de duvidar de verdades que tenham que ser ditas a toda hora como reafirmação do que se disse antes. Ninguém diz a toda hora que uma coisa que sabidamente é melhor, que essa coisa é melhor, pela razão muito simples de que não precisa ser dito.
Drummond não é o maior poeta brasileiro, não preciso muito para provar isso, mas vou apelar, vou citar o maior dos poetas brasileiros: João Cabral de Melo Neto.
A diferença é tão grande que só um cego não vê.
Mas deixo a comparação falar por si só. Coloco aqui dois poemas, um de João, outro de Drummond . Quem ler os dois constatará que um poeta é infinitamente superior ao outro.


IMITAÇÃO DA ÁGUA


De flanco sobre o lençol,
paisagem já tão marinha,
a uma onda deitada,
na praia, te parecias.
Uma onda que parava
ou melhor: que se continha;
que contivesse um momento
seu rumor de folhas líquidas.

Uma onda que parava
naquela hora precisa
em que a pálpebra da onda
cai sobre a própria pupila.

Uma onda que parara
ao dobrar-se, interrompida,
que imóvel se interrompesse
no alto de sua crista

e se fizesse montanha
(por horizontal e fixa),
mas que ao se fazer montanha
continuasse água ainda.

Uma onda que guardasse na praia
cama, infinita, a natureza sem fim
do mar de que participa,
e em sua imobilidade,
que precária se adivinha,
o dom de se derramar
que as águas faz femininas

mais o clima de águas fundas,
a intimidade sombria
e certo abraçar completo
que dos líquidos copias.


JOÃO CABRAL DE MELO NETO.



NÃO SE MATE

Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será.
Inútil você resistirou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,reserve-se todo
para as bodas que ninguém sabe quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas, vitrolas,santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabede quê,
pra quê.Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira,
você é o grito que ninguém ouviu
no teatro e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não,
no claro,é sempre triste,
meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



Sinceramente, só um idiota pode achar o segundo poema melhor que o primeiro. Em tudo e por tudo, João é superior.
Não escolhi os poemas, peguei-os no google sem nenhum critério, apenas coloquei: poemas de João Cabral e poemas de Drummond.
Ai estão:
Gosto não se discute. Mas para achar mais criatividade no texto de Drummond e menos no de Cabral, há de ter um retardamento mental de muitos milênios.
Drummond é um poeta bobão,um ser que acha poesia uma coisa de flor, de musa, de primavera. Suas imagens são de um tolice insuportável, seus poemas são lições de moral, uma moral de pouco valor.
Tem poemas de Drummond que são tão imbecis que o sujeito tende a ter receio de criticá-los , sob pena de parecer burro. Li uma vez um poema dele que falava sobre uma fazenda, esperei todo o poema uma frase que justificasse todas aquelas imbecilidades do poema,cheguei ao fim e nada.
Nesse ponto ele é insuperável, quando você pensa que ele vai dizer alguma coisa que preste, um frase nova, uma imagem que o redima, ele vem e solta sua frase cheia de lugares-comuns.
Há poemas dele que são muito bons, e nesses ele acerta justamente no que tenta e não consegue na maioria deles: passar para o papel uma emoção descomunal, uma solidão extrema.
João Cabral de Melo Neto é o maioral. Seus poemas tem imagens que você se impressiona com seus olhos que ao virem antes o que o poeta viu, não se deram conta de aquilo de fato existia. João via no cadáver coisas não mortas de tudo”, esse era seu segredo.
Um ovo é só um ovo, ninguém com juízo faria um poema para um ovo, ou se o fizesse resvalaria para o cômico. João fez, e tão bem feito que você chega a ver filosofia no poema.
Alguém pode fazer uma poesia comparando o ato de escrever poemas com o ato de defecar sem cair no vulgar? Cabral fez, e com uma elegância incrível.
Não entendo como pode-se comparar um poeta como João Cabral, seguramente um dos maiores de todos, em qualquer tempo e lugar, ao um tão menor como Drummond.
A meta de Cabral não é imediata e fácil como a de Drummond, não vem carregada de sentimentalismo, não é para adolescentes apaixonadas, mas seguramente é a mais rica sofisticada e criativa feita até hoje no Brasil.

5 comentários:

Marcelo Novaes disse...

É, Wellington.

Verdadeiramente, essa comparação é arrasadora...
Os críticos menos embevecidos com Drummond dizem que ele publicou muitas pérolas em meio a "muitos poemas desnecessários". No entanto, Mário Faustino, cáustico com quase todos, via em João Cabral ( no final dos anos 50) um cara promissor, um grande poeta,mas justificava porque Drummond seria um "poeta maior". Parece que tem que haver um garimpo quanto à poesia drummondiana. Há, sem dúvida, esse "derramamento sentimentalóide" em muitos textos. Mas deve haver alguma coisa em Drummond que aliciou tanta gente em torno dele. Ele parece ter sido uma espécie de "aglutinador". Inclusive, fazendo com que muitos "bebessem em algumas de suas águas". Concordo com a tua comparação, a partir dos textos escolhidos. Mas deixo aqui uma pergunta, que também é minha: "o que se passa com Drummond?!" Não me parece ser um caso de embuste, mas alguma coisa como uma "voz catalisadora cultural". Ele era o cara escolhido para ler gente como João Cabral e outros que os procuravam. Ele "descobriu" Cora Coralina. Ele parecia ter um ouvido incomum para muitas poesias diferentes da sua. Então, quem é essa figura cultural?! Ele parece um leitor incomum ( como um excelente médico com um estetoscópio ) com alguns momentos de brilho, elegância e /ou nobreza estética. Não sei como avaliá-lo, só pelo conjunto da obra, que não me dei ao trabalho de conferir. Mas algo reside aí. Outro dia, vi um belíssimo documentário sobre Érico Veríssimo que, além de bom prosador ( e de fôlego), foi um grande aglutinador cultural para todo o Rio Grande do Sul. Mário Quintana não existiria sem ele, Lya Luft idem, e vários outros assim o admitem. Essa figura do "catalisador cultural" talvez seja indissociável desse tipo de intelectual. Assim como Jorge Amado... (Como a Tropicália, ou o Clube da Esquina seriam na música...).Parece que são pessoas que vêm além do seus méritos de expressão próprios. Deixo aqui meu parecer especulativo-interrogativo sem deter resposta alguma na manga...


Abraços,




Marcelo.

WELLINGTON GUIMARÃES disse...

MARCELO, GRANDE MARCELO.


OS "IDIOTAS" QUE GOSTAM DE DRUMMOND SÃO PESSOAS QUE EU ADMIRO IMENSAMENTE, E ESTÃO EM UM PATAMAR MUITO MAIOR DO QUE EU. SEI DO VALOR DELE, E NÃO SOU DITADOR DE GOSTOS. SE VOCÊ ME DISSER: WELLINGTON, EU ACHO MARCOS ACCIOLY, JORGE DE LIMA OU O PRÓPRIO DRUMMOND, SUPERIORES AO TEU CABRAL,EU JAMAIS IRIA QUERER DISCUTIR PORQUE GOSTO, NÃO SE DISCUTE.
O QUE QUERO DIZER E NÃO DISSE AINDA E O TENTAREI DE MODO QUE NÃO SEJA OBTUSO, É QUE ESSE ADÁGIO POPULAR (GOSTO NÃO SE DISCUTE) ASSUME, EM DRUMMOND, O SENTIDO CONTRÁRIO DO QUE SUGERE, EMBORA SUGIRA UMA COISA CORRETA. COMO SE GOSTAR DE DRUMMOND FOSSE UMA COISA QUE NÃO PUDESSE SER OPÇÃO. GOSTO NÃO SE DISCUTE, ENTÃO DRUMMOND PASSOU A SER O "GOSTO", E COM ELE NÃO SE DISCUTE.
ELE FOI SIM UM GRANDE POETA EM ALGUNS MOMENTOS, EM OUTROS MEDIANO, E MUITO TEMPO UM IDIOTA. COMO SE DÁ ISSO? É SIMPLES, ESCREVIA DEMAIS.
DRUMMOND NÃO ERA UM POETA MEDÍOCRE COMO EU DIGO, MAS CONSIDERO ELE SIMPLESMENTE O ROBERTO CARLOS DA POESIA, QUE CHAMAM REI, E QUE ATÉ OS QUE LHE SÃO INFINITAMENTE SUPERIORES COMO CAETANO, MILTON, GIL, LHE RECONHECEM UMA REALEZA INEXISTENTE E QUE SÓ SE JUSTIFICA EM POUCAS OCASIÕES.
EMBUSTE ELE NÃO ERA. ISSO É CERTO. NÃO EXISTE UMA PENA QUE CATIVE TANTA GENTE COM INTELIGÊNCIAS E TEMPERAMENTOS TÃO DIFERENTES E SEJA UM EMBUSTE.
EM ARTE O EMBUSTE, O FALSO GÊNIO É LOGO DESMASCARADO.
COMO O CONTRÁRIO SE DÁ: UM CARA COMO VOCÊ NÃO FICA NO LIMBO TODO O TEMPO, PODE FICAR UM TEMPO, MAS NÃO TODO ELE.
HÁ AUTORES, COMO VOCÊ, E ISSO NÃO É UM ELOGIO GRATUITO, É VERDADE E SÓ, QUE ESCREVEM MUITO, NÃO CONSEGUEM ESCREVER "O LUGAR DO TOMBO" A TODA HORA, MAS NÃO ESCREVEM NESSE INTERVALO (ENTRE UNS E OUTROS TEXTOS GENIAIS)COISAS QUE O COMPROMETAM.
CABRAL É UM POETA QUE NÃO ESCREVIA IDIOTICES, VOCÊ TAMBÉM NÃO. CABRAL TRABALHAVA, VOCÊ TAMBÉM. NÃO TINHA ELE, NÃO TEM VOCÊ, TEMPO PARA ABOBRINHAS, SÓ O QUE IMPORTAVA OU IMPORTA.

OBS: "O LUGAR DO TOMBO" E O "ORFEU DE OUTONO", DOIS POEMAS ARRASADORES, DOIS POEMAS QUE PODERIAM CONCORRER COM "A IMITAÇÃO DA ÁGUA", PERDENDO OU GANHANDO, MAS CONCORRENDO DE IGUAL PARA IGUAL. OS DE DRUMMOND EU NÃO CONHEÇO UM ÚNICO QUE SE COMPARE A ESTE DE CABRAL.
ABRAÇOS E POXA, VOCÊ SEMPRE OFERECE OUTROS MEIOS, NOS DÁ OUTROS OLHOS PARA QUE POSSAMOS VER MELHOR.
PARABÉNS POETA.

Mirse disse...

Wellington, em primeiro lugar um grande abraço . Agora sei o porque algo em você me araía, além da sua inteligência, seu carisma e seu filho lindo. Estamos ligados pela luta a favor do estudo das células tronco para que entre outras coisas, possa encontrar soluções para o Mal de Paekinson e o Mal de Alzheimmer. Sei TUDO sobre Parkinson. E vou postar em meu blog o que aprendi estudando, pesquisando, e conversando com cientistas. Em primeiro lugar, este Mal, só acomete pessoas de inteligência acima do normal, com uma visão do mundo à frente do seu próprio tempo etc...
Mas estou aqui agora para dizer aos dois, a você e ao Marcelo Novaes porque Drummond encantava. Ele encantava com seus poemas melodiosos, principalmente os adolescentes, que tinham livre acesso nas escolas aos seus poemas.
Era questão de prova analisar um poema dele, assim como "Consrução" de Chico Buarque era analisada em vestibular. O grande lance de Drummond, é que ele próprio oferecia aos bons colégios seus textos e poemas. Ou seja,era melhor que publicar em livro e ninguém poder comprar devido ao alto custo do livro no âmbito nacional. Minha versão completa de Shakespeare, comprei num site que vendia livros americanos, pela metade do preço do Brasil, quando a inflação era alta. Isto porque me recusava a ler uma tradução de Shakespeare. Jõao Cabral nunca entrou em currículum escolar. Portanto, só quem apreciava literatura como eu, procurava e lia. Hoje quando leio Drummond, me lembro compondo meus primeiros versos. Mas já não é mais uma leitura que aprecie tanto. Mas ele continua nos livros escolares do 1º e 2º grau. É esta a questão.
Quanto ao futebol, realmente, sou uma negação. Adoro esportes, mas desde que entrou o "raio" das técnicas, não entendo mais nada . Sempre joguei volley, as hoje sequer consigo ver a bola, tamanha a agolidade e rapidez imposta pelas técnicas. No futebol, sei apenas que são onze jogadores de cada lado. Dois goleiros que tentam impedir a bola de entrar na casinha. O juíz para não deixar ninguém se matar e para lançar moda, como o Margarida. Nunca entendi porque os jogadores não sabem o hino nacional, nem colocam a mão no peito, mas na hora de uma cobrança, aho que é "pênalti" fazem um gesto unindo as duas mãos na frente do calção, como se fizessem figa´para a bola não entrar. Perguntei para meu arido porque os bobões faziam aquilo, mas ele falou para nunca mais eu perguntar isso. Perguntei ao meu pai que disse: "Minha filhinha, não assista mais jogos como futebol" . Meus irmãos nem me ouviam.. Enfim como posso entender de um esporte feito com segredos masculinos. Agora quanto a ser botafoguense, acho a estética do branco e preto bonito. E aquela esrela soçitária no peito.... É D E M A I S!! Pena que os jogadores não são belos como os italianos. E é só o que sei.

Sei que vão rir de mim, mas digo a verdode.
Beijos a você Wellington e à você Marcelo.

Mirze

WELLINGTON GUIMARÃES disse...

É NÃO É PARA RIR?!
BOM, DOS SEGREDOS MASCULINOS DIGO A VOCÊ O QUE SE PASSA: ...
DIGO NÃO, POIS SEGREDOS, SÃO SEGREDOS. TE DOU UM CONSELHO DE AMIGO, NÃO VEJA, NÃO COMENTE E NEM PENSE EM FUTEBOL.
SEUS MOTIVOS PARA TORCER PELO BOTAFOGO SE NÃO SÃO DOS MAIS OBJETIVOS, SEGURAMENTE SÃO DOS MAIS ORIGINAIS. QUANTO A BELEZA DOS ITALIANOS, É BOM LEMBRAR QUE EMBORA ELES SEJAM DE FATO, LINDOS, NÃO SE DEVE O SEU FUTEBOL À SUA BELEZA, A ÚLTIMA COISA QUE CONTA PARA UM JOGADOR É A BELEZA.
NÃO É NO PENALTI QUE COLOCA A MÃO SOBRE O CALÇÃO, E NÃO É FIGA. A FALTA A QUE VOCÊ SE REFERE EM GERAL É DE LONGA DISTÂNCIA, A BOLA VEM EM ALTA VELOCIDADE...
BOM, DEIXA PARA LÁ, CADA UM TEM OS SEUS CONHECIMENTOS, VOCÊ TEM MUITOS, MAS NÃO EM FUTEBOL.
BEIJOS.

Marcelo Novaes disse...

Wellington,

A Mirze colocou um aspecto a mais sobre Drummond: que ele "ensina a ler poesia"... Interessante. Cecília Meireles faz isso também.
Seria mais uma virtude do poeta. E devia ser boa gente, também. Despojado. De madrugada ( nesta madrugada) reprisaram o documentário sobre Érico Veríssimo. Ele , que nunca foi "vanguarda", ensinou a muitos como escrever romances. Ele que escreveu romances "medíocres literariamente, mas com relativo sucesso editorial", fazia essa auto-crítica, através de seu alter-ego em "O Tempo e o Vento". Ele usou a ficção para fazer as pazes com a memória de um pai dissoluto, um pai do qual a mãe teve de fugir de madriugada de casa, com os filhos ainda crianças, incluindo Érico. Ele, que não pôde descobrir o túmulo de seu pai em São Paulo, enterrado como indigente, teve um enfarto após concluir a cena em que personagens pai e filho,em "O Tempo e o Vento", que são alter-egos dos dois ( ele e seu próprio pai, Sebastião), se beijam numa cena de reconciliação. Nessa cena, os manuscritos originais estão cheios de rasuras ( mais do que o comum...), e assinalados com "pausas". Sim. Está escrito, depois de certas frase: "Pausa". Como se fosse uma peça de teatro.
Ele que escrevia com uma máquina, digitando mal, com dois dedos, sobre uma prancha de madeira, na qual fazia caricaturas e desenhos de todos os personagens do livro, além do mapa das cidades ( Santa Fé, no caso de "O Tempo e o Vento"), tentava visualizar e situar imageticamente os movimentos dos personagens em sua criação literária. Mais uma vez; "teatro mental". O que acontece com Érico Veríssimo?! Ele transpira, refulge, exala para seus pares e amigos O QUE SEJA O PROCESSO DE CRIAÇÃO, com seus partos, cavando NO MINERAL, em solo espesso, pedregoso, ACHANDO AS IMAGENS EM MEIO ÀS FERIDAS. E mais: sustentando uma linguagem vigorosa enquanto cavalga esse cavalo chucro da memória. E isso ele transmitia aos criadores à sua volta. A "chispa". Além de escritor-pedagogo ( como frisou a Mirze), eu me pergunto qual era o archote que Drummond carregava, porque acredito que carregava um. O OUVIDO DE VERÍSSIMO ERA ESTUPENDO. Ele ouvia uma pessoa por horas, e era capaza de repetir o que ela havia dito, concordasse ou não com ela, mas ouvia, até dar sua opinião. Colocou qualidades humanas em personagens inspirados em pessoas DAS QUAIS NÃO GOSTAVA NA VIDA REAL, mas procurava nelas as frestas e brechas de virtudes que ele mesmo não possuía. pENSO, PELO QUE SEI DE DRUMMOND, QUE ELE POSSUÍA UM OUVIDO ASSIM, PELO MENOS NO TOCANTE À ESTÉTICA. E se ele ajudou adolescentes a lerem poesia ( a sua) para, a partir disso, lerem as de outros poetas, isso vem de encontro á minha suspeita. Drummond, por ter ouvido, pode ter sido um "educador de ouvidos"...Veríssimo tinha e era.
Um pouco escritor, um pouco "terapeuta instintivo", inclusive "de si mesmo". Isso é "arte honesta". Sem macaqueamentos, sem mimetismos de terceiros. Comprometida com a verdade própria. Talvez essa seja a chave da virtude desses autores mencionados aqui nesse comentário.


Abraços,


Marcelo.