sexta-feira, 7 de agosto de 2009


















NÃO MORRE NÃO!



Homem pode gostar de outro?
Sim, claro, deve ser assim.
Pretos são bonitos?
Tanto quanto os de qualquer cor, desde humanos.


Caetano faz hoje 67 anos, amo-o agora, amarei sempre. De há muito não o tenho como mito, lenda, ou bobagens com as quais nos acostumamos a sacralisar o profano, tirar dos nossos ídolos a condição de homens, de seres normais, como tu e eu. Há anos percebo seus defeitos, suas falhas, musicais, pessoais, sua distância do sagrado, sua proximidade comigo.
Sim, a lenda é um homem, só isso, mas nada. Caetano é o tempo, o meu tempo, minha vida, ou um pedaço dela.
Não me tornei um anjo depois de conhecer o baiano, mas devo a ele uma grande parte da pequena parte boa de mim.

E arrisco um poema, um poema de amor, um texto que não pode ser considerado poema, se poema é criação artística, e o critério é o de um texto bem escrito, formal, enxuto, de um poeta. De um poeta puro polindo esqueletos. Mas não sou poeta, se poeta é quem escreve bons poemas, ainda que frios, como os de joão, se poeta tem de ser bom inventor, porque não sou inventor. João via poemas lindos em ovos de galinha, ou até mesmo nas fezes, e eu não sou joão, nem poderia, nem quereria, sou eu. Não sou poeta, se a definição do poeta for poeta escritor, poeta profissional, isso não sou, nunca serei. O que admiro nos poetas, todos os que admiro, é a capacidade de inventar sentimentos, de criar dores forjadas, e de tomar emprestado uma alma que não é sua, uma alma que não é de ninguém, a alma da alma.
Mas sem justificativas, que não justificam nada, vamos ao poema.



É melhor apreciar, reverenciar, admirar o mito quando ele está vivo, não gosto de mitos que não andam, que não gargalhem, e que não falem merda. Gosto de mitos, de lendas, de reputações como a sua, vivazes, errôneas, falhas, humanos.

Não haverá poemas, nem muita coisa dita, só um beijo, uma sutil reverência. Não de prostrar de igreja, nunca foste santo, e ainda que fosses, não haveria o genuflexo.

Não faço versos, tampouco versos inspirados, mas escrevo com amor, não ao escrever, mas de quem falo, ou do que falo.


Sim, não é um texto, é um beijo, um beijo que não vou te dar, por não ser possível o contato físico, te dou aqui, te mando agora, e vai no pra tu, vai com carinho, vai com amor.
E digo que tenho como amigo, ao qual devo muito, ao qual me apeguei demais, ao qual temo o fim.
Sim, temo teu fim, e isso diz tudo, porque a medida de meu amor por uma pessoa é a morte. Quanto mais eu amo, mais temo pela sua vida. Meu filho tem 7 anos, saudável, lindo. Sempre que lembro dele, penso na sua morte, e na minha dor. Estranho? Mórbido? Não, baiano, isto é amor.
Amor e morte, coisas indissolúveis, coisas ligadas.
E quando chegas ao 67 anos, lindo como um Caetano, forte e rijo como um Veloso, menino e as vezes bravo, como eu, te faço um pedido, te faço um apelo, te peço um favor.
Caê, fica mais aqui, não morre não.

2 comentários:

Mirse disse...

Emocionante! Real!

É ínfima a linha que liga a vida e a desliga com a morte.

Mas mesmo morrendo, Caê, como o chamo, é eterno. estará sempre em sua obra.

Well, foi mais que um poema o que escreveu, porque com a alma, porque com sentimento e com a sensibilidade de quem admira.

Isso é mais que um poema com rimas e lapidado.

Talvez seja a gênese do poema a ser talhado.

Muito lindo!

Aplausos!!!

Beijos

Mirse

YaRa disse...

Qlindo wellington...uma homenagem mais que especial....por uma criatura INCRIVELMENTE especial...benditos os que se fazem dignos do teu amore que podem ser elementos da tua genialidade....Não te irrites...sei o quanto odeia que te chame de Gênio...mas é o ue penso e não me calo!!! Pela milionesima e justa vez...

Parabéns Meu GÊNIO querido...meu IRMÃO escolhido e predileto!