quarta-feira, 30 de setembro de 2009

INDIFERENÇA





Não é pessimismo, nem descrença, é mais vazio e fundo, é indiferença.
É mais que solidão, menos que morte, é saber-me entregue à própria sorte.
Podia ser descrito, se houvesse disso um motivo, ou impulso, como inércia, mas não é inércia, é mais que isso, é morte.
Quisera estar triste, quisera arrependido, mas já nem disso sou capaz, do choro ou medo.
Bom seria ser ateu, ou mal, ou santo. Não creio em nenhum deles, crendo no meio, com dúvida e deboche.
Não é lamento, nem outra coisa de sentimento, é descritivo, como um legista.
E não quero outro jeito, nem ser um “novo homem”, só ouvir histórias, só matar a fome.
Não posso ser o que quis, que eu seja o que sou. Somente eu, sem diabo, sem deus. E que minha dor seja aliviada, minha alegria contida, e siga assim a vida, vida minha, minha vida, querida e continua, lenta como meus gestos, linda e breve, como a beleza de uma jovem puta.

Um comentário:

Mirse Maria disse...

Emocionante!

"É mais que solidão, menos que morte, é saber-me entregue à própria sorte."

A indiferença dos outros para conosco, difere dessa sua divina indiferença.

A sua sublima o ser humano, ao perceber que essa indiferença trata-se do mesmo ser que vive, que ama a vida,mas que se diz incapaz de choro ou medo.

Simplesmente divino.

Peço para postar em breve no meu blog com os devidos créditos.

Beijos

Mirse