terça-feira, 29 de setembro de 2009

O POETA DOS POETAS




QUEM NÃO ADMIRA OS POEMAS DE MARCELO NOVAES SÃO IMBECIS, MEDÍOCRES, ANALFABETOS, OU TUDO ISSO NUM KIT.
NÃO DIGO MAIS NADA, OS POEMAS FALAM POR SI.


A mulher verde

MARCELO NOVAES

Quando a mulher verde
Surgiu, no meio do fogo que
Crepitava, parecia-se mais
Com a morte

Seu uivo agudo, escuro,
Escarlate, fez lembrar
Manada de búfalos
Quando foge.

O som do desespero:
A espera eterna do eterno
Passageiro.

A mulher verde, em seu uivo
E em seu cheiro de enxofre, fez
Lembrar do verbo, quando sofre
O sonho ausente: íris sem olhos,
Tronco sem membros, boca sem
Dentes,

Dorso membranoso,
como o de um lagarto;

timbre e dicção
de dar nos nervos.


Wellington Guimarães
“Faz lembrar do verbo quando sofre o sonho ausente”

Não existe poesia cerebral, lógico que todo poeta é cerebral, mas poesia cerebral não existe. Quem diabos vai entender pela razão um poema? Mar não tem fios nem fins. Luz não tem franja e sapos não sabem de nada.
A apreciação do poema é irracional, demente, idiota mesmo, mas quem o faz tem de ser cerebral para embotar a racionalidade e fazer o leitor ter convicção absoluta que delimitou o fim do mar, que viu uma franja na luz e era branca, e que sapos sabem, tem consciência dos próprios saltos ou pelo menos do processo da coisa.
Agora, volto à frase acima, Há frases que o cara pensa: essa aí eu gostaria de ter formulado.
Outras, como essa tua, que o cara (eu) acha tão genial que não cogita essa possibilidade. Entenda, não estou me dizendo burro, ou incapaz de formular uma frase inteligente, ou genial como a de acima, mas o que digo é que meu pensamento não se dá conta de coisas alheias que lhe são sentidas, mas não expressadas.

Um comentário:

Mirse Maria disse...

Lindo esse poema do Mrcelo, mas qual não é? Esse eu também vi nascer e me encantei com a mulher -verde-crepitando-no-meio-do-fogo.
Ele vai mais longe e a compara ao som do desespero. Esse som eu conheço!

Maravilha de postagem!

Essa sim!

Beijos

Mirse