sexta-feira, 22 de agosto de 2008

SHAKESPEARE

LI, LEIO, LEREI SHAKESPEARE PORQUE É MUITO BOM FAZÊ-LO, SOBRETUDO POR ISSO, O MAIS VEM À REBOQUE DISSO.
O MAIS EMPEDERNIDO DOS INTELECTUAIS ENCLAUSURADO EM SUA GÓTICA BIBLIOTECA, AO MAIS DESINTERESSADO ADOLESCENTE, QUALQUER SER HUMANO RAZOÁVEL, PODE ENTENDER O QUE ELE COMUNICA, E MAIS, PODE ADQUIRIR SABEDORIA PLENA E REAL.
SHAKESPEARE FOI, E SEMPRE SERÁ UM INTELECTO SEM PARALELO, MAS, SOBRETUDO, UM QUE PODE COMUNICAR O QUE QUER.
SUA OBRA FOI QUASE TODA FILMADA POR CINEASTAS AMERICANOS, MAS AINDA ASSIM CONSERVA POR UM LADO SUA CAPACIDADE DE CLAREAR E DE SER INTERROGATIVA, E POR OUTRA SUA ERUDIÇÃO.
SOARES DIZ BRINCANDO, QUE AO LER SHAKESPEARE VOCÊ NÃO ENCONTRA UM "BOM DIA". COM SUA SIMPLICIDADE DE HUMORISTA E SEU GIGANTISMO INTELECTUAL, SOARES, DEFINE DE FORMA DEFINITIVA O GÊNIO INGLÊS.
SEUS LIVROS SE POPULARIZARAM A PONTO DE FAZÊ-LO UM DOS NOMES MAIS CONHECIDOS DO PLANETA, MAS NÃO HÁ UM LIVRO ESCRITO POR ELE QUE SEJA MENOR A QUALQUER OUTRO SE A QUESTÃO É ERUDIÇÃO.
JÁ SE DISSE TUDO DELE, MAS QUEM MELHOR O DEFINIU FOI HAROLD BLOOM, CLARO QUE BLOOM QUER DESUMANIZÁ-LO, FAZÊ-LO UM DEUS DOS ATEUS, MAS TIRANDO ISSO, ELE FOI O QUE BLOOM DIZ MESMO. TUDO QUE VOCÊ LER DE SHAKESPEARE, MAS TUDO MESMO, LHE DÁ A IMPRESSÃO DE JÁ TER VISTO OU OUVIDO ANTES, EM OUTRO LIVRO, EM OUTRO LUGAR, SÓ QUE ELE VEIO ANTES.
SE FOSSE MEU AMIGO MARCELO, DIRIA: ELE É O GÊNIO ANTERIOR AO GÊNIO.
E TEM OS SONETOS. ELE NÃO ERA POETA, MAS CREIO QUE NOS SONETOS QUE ESCREVEU PARA SUA AMADA OU AMADO, ELE FOI SUPERIOR AOS POETAS TODOS QUE EU CONHECI ATÉ HOJE.
VOCÊ NÃO LÊ UM LIVRO DELE EM QUE NÃO SE DEPARE A CADA MEIA PÁGINA COM UM PENSAMENTO, UMA FRASE GENIAL.
QUANTOS LIVROS(VAMOS COMPARAR) QUANTOS LIVROS ESCRITOS ATÉ HOJE SE COMPARAM A REI LEAR?
POUCOS, QUASE NENHUM. GOETHE, COM O FAUSTO, SE EQUIPARA, NÃO ULTRAPASSA MAS SE EMPARELHA. SÓ QUE SHAKESPEARE ESCREVEU MAIS DE TRINTA, E O MAIS IRRELEVANTE DELES, FAZ "MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS", UM LIVRO SEM SAL, O MENOR LIVRO DELE É SUPERIOR A QUASE TUDO QUE SE ESCREVEU ANTES E DEPOIS DELE.
O TEMPO NÃO O DEIXOU ULTRAPASSADO. HÁ ESTÓRIAS GENIAIS (DOM QUIXOTE), QUE HOJE NÃO SUSCITAM O MENOR INTERESSE EM QUEM NÃO GOSTA DE LITERATURA. SHAKESPEARE É CITADO ATÉ POR ANALFABETOS (EXISTEM MAIS COISAS ENTRE O CÉU E A TERRA HORÁCIO, QUE SUPÕE TUA FILOSOFIA), NO ENTANTO, DESCONHEÇO AUTOR MAIS ERUDITO QUE ELE.

4 comentários:

www.mirzesouza.blogspot.com disse...

Concordo com tudo. Os poemas dele são realmentedivinos. Rei Lear, em versão cinematográfica ou didátiaca, é maravilhoso. Mas eu, Mirsr, não consigo entender Hamlet. Me perco nos prólogos : Ato I. Cena I e por aí vai. Tenho um livro enorme com a obra Shakespeariana em ingles. Assim como Oscar Wilde. Porque em ingles? Porque não confio em tradutores. Pois bem o drama Hamlet, já li mais de 6 vezes. Entri no site da Biblioteca Nacional e peguei uma versão em portugues. Só a primeira página era
a descrição de cenários, e a composição de atos e cenas. Fica difícil entender. Pelo menos para mim. Vou postar Hamlet em Lampejo. E aí ouvirei seu eco.
Obrigada Amigo! Desculpe-me importuná-lo com isto, mas é verdade que me enrolo para explicar Hamlet para meus alunos.

Beijos

Mirze

WELLINGTON GUIMARÃES disse...

AMIGUINHA QUERIDA, NÃO ME IMPORTUNAS, O QUE ME IMPORTUNA SÃO OS NOSSOS CANDIDATOS A VEREADORES TENTANDO ME MOSTRAR QUE SEM ELES A VIDA NÃO SERIA POSSÍVEL NA TERRA.
QUANTO A HAMLET, FAREI UMA NOVA POSTAGEM SOBRE O ASSUNTO, EMBORA SAIBA QUE NÃO TENHO CAPACIDADE INTELECTUAL PARA ISTO. UM ENORME BEIJO.
MARCELO SEGUE O SOL, ELE ARREBENTOU MAIS UMA VEZ. "CINTURÕES" É LINDO.

Marcelo Novaes disse...

Wellington,

A frase de Jô é paradigmática. Ele está dizendo que não se encontra uma expressão desnecessária ou trivial em Shakespeare. Que ali a palavra está a serviço de comunicar o essencial-denso-problemático-humano. Certo. Nossas escritas costumam ser cheias de apêndices, ornamentos, cacoetes, adjetivações prescindíveis, ou coisa que o valha. O que Jô e você estão dizendo é que o cara economiza flechas e dardos para acertar nos pontos nevrálgicos dos alvos certos. Esse é um mérito difícil de repetir. Mas o fato de haver uma plêiade de personagens extremamente representativos de muito da complexidade humana, postos EM DIÁLOGO, mostra que Shakespeare, como um OBSERVADOR ARGUTÍSSIMO ( tanto quanto um criador), ENCONTROU O CAMINHO PARA FAZÊ-LO. O caminho, necessariamente, seria outro no romance. Outro, num poema épico. Shakespeare é o gênio dos temas-postos-em-diálogos. Não é pouco. Mas chegar a esse essencial-ultra-condensado em cada gênero literário, exigiria uma multifacetação estilística inexistente no próprio Shakespeare. Em suma: ainda não há "o Leonardo da Vinci da Escrita".

Eu observei uma cena bastante relevante, e da qual você iria gostar muito, no restaurante do sarau. Uma moça, bastante inteligente ( jornalista de Santa Catarina, com pretenções a contista ), leu um conto escrito em sua caderneta de anotações. O esboço de um conto. Leu para duas pessoas: Eu e Marcelo Ariel, considerados "dois dos egos mais gigantescos daquela mesa" ( sic). Leu baixinho apenas para nós dois, que estávamos ao seu lado. Marcelo Ariel agiu da melhor forma que se pode fazer com um escritor que tem algo a dizer em seu próprio gênero ( não há os multi-gêneros pululando por aí). Ele disse, assim: "Moça, você me apresentou um texto ainda não-pronto.No entanto, vejo que você desenvolve bem esse tema num tom confessional. Olhe, acho que ler uma "boa voz feminina confessional" ( estou dizendo do meu jeito, mas o raciocínio é todo do Ariel... ) pode te ajudar muito a desenvolver as possibilidades da tua própria voz. Eu te sugiro que leia Anne Sexton, anote aí. E você, Marcelo ( eu), que sugestão dá a ela?!".Eu reafirmei a dele, com convicção.

[ Marcelo Ariel é negro, dramaturgo-poeta e auto-didata. Ele representou um trecho de meu Cidade de Atys numa peça de teatro sua há oito anos atrás, e não sabíamos um do outro até este sarau. Quando ele viu no meu blog que eu havia escrito "Cidade de Atys", me contou. Como você, Wellington, também tinha ojeriza a psicanalistas até me conhecer...]


Beleza. É disso o que todos nós, os não-gênios, precisamos. Aprimorar nossas vozes e modos de dicção, avançarmos na direção dos gêneros com que trabalhamos ( e Sheakespeare "pensa como Dramaturgo", pensa-em-diálogos), sabendo que haverá ainda aqueles "bom dias", aquelas adjetivações prescindíveis e os acoetes de nossa não-genialidade. Espero ter trazido um ângulo novo ao debate. E prossigam com Hamlet em si mesmo, porque é obra seminal.


Abraços à Mirze e a você,




Marcelo Novaes

WELLINGTON GUIMARÃES disse...

SÓ QUER DEIXAR CLARO QUE SHAKESPEARE PARA MIM NÃO É UM SER SUPREMO, DIVINO. SUA OBRA SIM. ESSE NEGÓCIO DE DIZER "SHAKESPEARE", COMO SENDO UM SER SUPERIOR É TOLICE, SUA OBRA FOI , SEU INTELECTO FOI, MAS ELE ERA UM QUE NAS MEDIOCRIDADES DO DIA-A-DIA, NÃO ERA DIFERENTE DE RENATO ARAGÃO, EU, OU O VIZINHO AQUI DE CASA. HAMLET DISSE: "CONHECER UM HOMEM É CONHECER A SI PRÓPRIO." E ELE TINHA RAZÃO.