sábado, 2 de agosto de 2008

MAIS MARCELO NOVAES, EM TRECHOS GENIAIS.

ESSE É UM PEQUENO APANHADO DOS POEMAS DE MARCELO NOVAES, O QUE FAZ EU CRER QUE A POESIA NÃO MORREU, QUE A FONTE NUNCA SECA.


É só pra isso
que existem
olhos e
ouvidos.
Pra se ver o rosto
branco de quem
carrega o caixão
paterno.



Butoh




É como se eu acendesse,
vez seguida às tantas vezes,
sem que ninguém por mim
intercedesse,
a mesma faísca.
É como se eu me lembrasse
e rememorasse e tentasse
corrigir,
a primeira sílaba errada
da palavra que já engoli.



A túnica de Nessus





Já tinha passe-livre,
era clássico e free. Poema
banto, batuque e taoísmo,
nobreza de rei na hora da
perda do filho jovem, em acidente.
Já era cidadão quando não havia cidadania aqui.
Foi execer a sua em Londres,


O cravo e o sabonete








Eu sou a tua companhia secreta,
desde a sombra das idades.
Eu sou o Poeta dos poetas.
Sou a resposta à tua invocação
por um pressuposto bom,
até então ausente.
Eu sou o pressuposto,
o olho onisciente antes
do teu rosto.
Afasto o que te ameaça
a partir de dentro, desde
que me saibas em teu
íntimo.
É só o que peço,
que não restrinjas o meu espaço
e me consintas para que caiba
por entre as frestas do teu
desejo por tantas outras
coisas que não eu mesmo.
Eu sou o bem que, por enquanto,
só se vê de longe,
ainda que venha antes e anteceda
toda a tragédia que te constrange.
Eu sou o que vê por detrás de tua
face congelada, onde te olha a nuca,
quando te viras e não vês
nada.



O olho que te olha a nuca


Eu conto história de um
passado que eu invento,
talvez pra parecer um outro,
completamente outro, eu que
sou sombra, elmo e
escudo.




O escudo, o elmo e a sombra.


.
Do mar eu sabia a
bruma,não sabia a
lama.
Eu não conhecia o
pântano dentro do
mar.
Do mar eu conhecia
escamas, não a
ganga.



À imagem e semelhança





fez lembrar do verbo
quando sofre o sonho
ausente: íris sem
olhos,
tronco sem
membros,
boca sem
dentes,
dorso membranoso como
o de um
lagarto;
timbre e dicção
de dar nos
nervos.


A mulher verde



Eu não poderia,
jamais,
expressar
essas veemências
sentimentais,
que voluteiam e se
resolvem a si
mesmas,
e se dissolvem,
enquanto tais,
no instante mesmo
em que se
expressam.




Quaresma




Compreendi a fantástica
esfera
de lava e fogo
que mora na boca
do estômago.
Sentado,
beijei minha própria face
machucada,
dentro de minha
respiração:



A franja branca daluz




"Creio que muita coisa boa surgirá na Net. Não necessariamente publicada. Mas falada de boca em boca. Algo análogo à literatura oral, num primeiro momento. Oral-digital."

Maecelo Novaes em entrevista a Hercília Fernandes.

5 comentários:

Marcelo Novaes disse...

Gostei da tua triagem, Wellington.
Obrigado.
Está lá o poema "Liturgia das Horas Enfermas". Mas fiz alguns melhores depois. Desses que exigem certa "coragem psíquica" ( "O Lugar do Tombo", por exemplo, exige isso). O título provisório é Kadosh. Outra alternativa é "Teia e Transfusão". Tem a extensão de "O Elmo, a sombra e o escudo". Fiz ontem. Mas sempre intercalo com uns mais curtos e leves, pra relaxar um pouco...Não se vive só de tragédias , nem de "minutos heróicos"...


Um abraço, e mais uma vez OBRIGADO!


Marcelo.

Marcelo Novaes disse...

Acabei de fazer uma singela homenagem a Vinícius, inspirado por sua lembrança. De quebra homenageei um artista plástico que fez muitas capas de disco: de Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Vinícius, Chico, Toquinho e tantos mais: Elifas Andreato.

Abração,


Marcelo.

Mirse disse...

Queridos amigos. Voces se completam!Diria que Wellington é o gênio da ESCOLHA. Ele poderia ser aquele que aponta o caminho certo. Você, Marcelo poderia dedicar a ele um poema (sem pálpebras), cujo título poderia estar em branco. E nós, pelo menos eu saberia que era ele Wellington o homenageado, O Pastor de grandes poetas.

Aos dois meu forte abraço


Beijos

Mirze

WELLINGTON GUIMARÃES disse...

MIRSE, ELE ME "DEDICOU O ESCUDO, O ELMO E A SOMBRA", EM SOLO SUBTERRÂNEO SE REFERE A MIM COMO "O VATE, O BARDO-COR-DE-ABACATE", EU AMEI AS HOMENAGENS.

www.mirzesouza.blogspot.com disse...

Fala sério? "O VATE" Então acertou!
Você adivinha mesmo, mas antes confere. Não sabia o "Elmo" era dedicado a vocêVou reler.

Beijos

Mirze