segunda-feira, 6 de julho de 2009

UM ANJO




Porque a mim, não a quem de direito?

Mas não sei se foi ele, sei que foi calmo, bom, confortador. E eu, egoísta, preferi ficar só, preferi tê-lo perto, sem palavras, sem recados, sem mais nada. Olhando-me.

O anjo, era anjo sim, Gabriel, era Gabriel sim, embora não seja mais que fruto de emoções fortes e muitas de uma vez só. Sim, admito o delírio, porque emoções de uma vida, e lágrimas de mais de duas, vivi e verti ontem. Me passou paz, muita paz.

Isso não é um poema, nem seria se quisesse, é um relato, uma confissão. Odeio místicos e misticismo, repugna-me essa escória de embusteiros. O que senti ontem, no meu quarto, pode não ter sido o anjo que me parte o coração, porque não quis ser humano, ou era outra sua função, mas era anjo, sendo anjo sinônimo de quem é enviado de Deus, era anjo, isso é certo, não tinha asas, nem cachos dourados, nem sequer o vi, nem ouvi. Talvez fosse o bom de mim falando a mim mesmo, mas isso não é Deus?

Não me deu recados, não era assim que funcionava, era mais abstrato que o perfume. Continha tal abstração no que revelava não sendo, nem revelando, que não sendo e não revelando nada, me faz ter certeza de sua verdade, sendo ele próprio menos que uma brisa, na definição das coisas onde a brisa tem uma função e nome, e pode ser definida.

A única coisa que sei é de que não era ruim, e de que era supremo. Se foi uma confusão mental, se foi um delírio, foi bom, muito. A única coisa que sei, isso é material, isso é real, ele me tirou do pesadelo, e indicou Cristo.

E não houve nada entre nós que fosse alheio, isso me intriga. Nem recados, nem apaziguamentos, nada. Ele se ocupou de mim, isso me envaidece.

Foi bom, muito bom. Cada um tem problemas e os tenta equacionar da melhor forma: com remédios ou se matando. Ia dizer: e outra inventando anjos.

Que tenha sido inventado então, que seja. Foi anjo! Um anjo augusto, mesmo não sendo o Gabriel, mesmo não sendo o AUGUSTO GABRIEL, foi anjo, e acaba de me dizer porque apareceu a mim e não a quem de direito, aos que o geraram, ficou comovido com as lágrimas que derramei sobre o teclado que tem uma luz azul e foi caro, e não quer que eu cobre o prejuízo que sequer tive, e me achou pretensioso, porque quis reter-lhe, dar um recado seu. E entendi de imediato porque se foi, e ao se ir deixou o recado negado.

O recado?

Não há recado algum. Mas sei porque ele se foi sem recados.

ALGUÉM MANDA RECADOS A QUEM ESTÁ TODA HORA JUNTO?

2 comentários:

Mirse disse...

Porque você é o "quem" de direito.

Anjos existem e nos confortam.

Que bom que foi visitá-lo!

Linda postagem!

Beijos

Mirse

Lu disse...
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