terça-feira, 27 de outubro de 2009

PITOCUDO DORMINDO









Vejo você dormindo, descanso teu sono e afago o meu cansaço imenso no teu ressonar, no teu dormir. Você dorme em mim. No meu coração, ursinho panda. Você fere em mim, e corta, a malvadeza, faz a maldade em mim ser mais maldosa ainda.
Quando adoeço, com um febre de mil graus, e com um ímpeto de destruir coisas, para depois carpir sobre o que matei, ou me revolto contra minhas possibilidades positivas, minhas boas inclinações, é você, não você acordado, não você desperto, você sereno, dormindo. O teu sono é meu descanso.
Você dorme lindamente, mas não é isso que eu mais gosto, o que mais amo é teu sono, teu ressonar, que me restitui energias, que me faz forte. É rapazinho de quase oito anos, não é comida, nem água, menos ainda o ar, o que me mantém vivo, é você.
Não é sono, o meu sono, que me descansa, é tu dormindo.
Canalhinha branco, que fará oito anos amanhã, não me importa o que achem as pessoas do que está escrito aqui, o meu desejo é que quando fores maior, com discernimento suficiente para ler aqui e entender o que se passa, entenda bem, como é.
Não pretendo que me admires, nem gostes de mim como eu gosto de ti, mas ao ler isso no futuro, e olha menino meu, talvez eu já não possa escrever, nem falar, e meus movimentos sejam tão lentos e rígidos como uma máquina, mas lendo isso que te escrevo hoje, um dia antes do teu aniversário, um dia lindo por ser véspera de outro dia lindo, fica sabendo de uma coisa: ninguém, mas ninguém mesmo, de tempo algum nesse lugar em que estamos, vai te amar tanto quanto eu, ninguém. E onde eu errei contigo, onde fui ausente ou for, me desculpe, mas nunca fui desamoroso contigo.
Não quero muito de ti, mas uma coisa quero, faço questão, pitocudo de minha vida, que quando eu não estiver contigo, por motivo qualquer, e você sem querer, ou não, se lembrar de mim, quando por um lapso qualquer você se lembrar do teu paínho, e eu estiver longe, ou além, não lembre do que te disse, do que te dei, do que fizemos, rimos ou brigamos, ou o que seja, lembra de uma coisa só, e que sequer você viu, lembra, de teu pai te olhando dormir, com tanta ternura, com o coração tão ardendo, como se fosse o último momento bom do mundo. Lembra de mim quando quiseres, mas não esquece o que não vistes, não esqueças de teu sono, não esqueças de que tudo que eu quis foi acertar contigo. Todos os pais são iguais, mas eu, moleque bravo, olhando para seu sono, agradecendo a Deus por você estar ali, fui mais pai do que todos os outros, por um instante, mas que nunca passou, vivo pelo seu sono.

3 comentários:

Mirse Maria disse...

A imagem que o belíssimo texto passa, comove e emociona profundamente.
Observar a entrega de uma criança dormindo é uma dádiva. E essa criança sendo o filho amado, faz´se o que chamo céu em vida!

Parabéns, Well!

Beijos

Mirse

FORURETEEEEE disse...

Pitocudo dormindo...admirável! Com certeza deve ter um pouquinho de vc...e ver vc dormindo foi a coisa mais fantástica que já presencie...Lindo...Lindo!

TE AMO!

Anônimo disse...

COM CERTEZA ESSA NÃO É BREGA!!! E TEM A SUA CARA...

Menina
Roberto Carlos
Composição: Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Menina
Me ensina
O que eu ainda não sei
Me fala
De coisas
Que eu nunca te falei

Segredos
Me conta
Me aponta, me diz
Me beija
Me abraça
Me faz feliz

Me olha
Me embala
Me pega do seu jeito
Me agarra
Me esfrega
Me aperta no seu peito

E quando
Na cama
Se deita
Me ama
Se esquece de tudo
Num grande amor

Vive nos meus sonhos
Mora em minha vida
Rola no meu corpo quando quer
Beija a minha boca
Dorme em meus braços
Chamo de menina essa mulher

Te amo
Menina
Você não sabe quanto
Perdido
Me encontro
Na selva deste encanto
Às vezes
Confuso
Abusa de mim
O nosso amor é sempre assim